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Notícias

20/06/2014 

Projeto Pife Muderno comemora 20 anos e faz shows no fim de semana na Caixa Cultural

 Feito com sete orifícios em uma taboca (bambu), o pife, em toda a sua simplicidade, instigou e desafiou um dos grandes instrumentistas de sopro do País: Carlos Malta. Era 1994 e o carioca acabara de deixar a banda de Hermeto Pascoal após 12 anos. Nessa época, o músico já acumulava no currículo trabalhos com Egberto Gismonti, Pat Metheny, Gil Evans, Marcus Miller.

Nascia naquele ano o grupo Pife Muderno, com uma paisagem musical inspirada no universo das bandas cabaçais e reunindo alguns mestres: além de Malta, o pandeirista Marco Suzanno, hoje a grande referência de escola do pandeiro brasileiro; a flautista Andrea Ernest Dias, que vinha da música erudita, e já bastante requisitada no meio popular; os percussionistas Oscar Bolão, outro dinossauro da música brasileira, que já acompanhou de Elizeth Cardoso a Ney Matogrosso, e Bernardo Aguiar, talentoso discípulo de Suzanno; além do zabumbeiro Durval Pereira.

O grupo apresenta de 20 a 22 de junho em Fortaleza o resultado dessa investida, que já contabiliza duas décadas de atividades. O show "Pife Muderno 20 anos" acontece no Teatro da Caixa Cultural Fortaleza, com sessões às 20 horas, hoje e amanhã, e às 19 horas, no domingo. Na capital cearense, Durval Pereira será substituído por Basto da Zabumba.

O repertório da apresentação inclui versões registradas nos dois álbuns que gravaram, "Carlos Malta e Pife Muderno" (1999) e "Paru" (2006). Nos discos, além das composições de Malta, o grupo toca criações de artistas fundamentais da música brasileira, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Edu Lobo e Guinga.

Referências

A proposta segue na esteira da formação de uma banda cabaçal, que inclui, além dos pífanos, instrumentos de percussões - zabumba, tarol e pratos. A diferença reside na pegada contemporânea, com instrumentistas e recursos "mudernos" da música instrumental brasileira.

Malta domina diversos instrumentos de sopros, como saxofone, clarinete, clarone e flauta. A referência do pife - que é uma flauta, mas bastante rústica, sem tantos recursos - ele traz da infância, das bandas que animavam as folias de reis no Rio de Janeiro.

O trabalho com o "Pife Muderno", além de submeter o instrumento a outras referências, inserindo-o em um contexto urbano, agrega uma pesquisa rítmica, da música tradicional de diferentes partes do País. Seja no Cariri cearense e pernambucano, ou no Xingu, com suas flautas indígenas, em diversos tamanhos, também cunhadas pelo mesmo processo.

Atualmente, Carlos Malta participa das gravações do filme "Xingu Cariri Caruaru Carioca", um "pifedoc" dirigido por Beth Formaggini, que inclui cenas no Parque Indígena do Xingú.

Entre as referências do "Pife Muderno", estão, por exemplo, Zé da Flauta, artista de Caruaru, e os Irmãos Aniceto, no Crato. Domado por Malta, que se apresenta na linha de frente com a flautista Andrea Ernest, o instrumento serve de linha condutora para maracatus, marchas, baiões e até temáticas indígenas se misturam à canções como "Ponteio", "Pipoca Moderna" (Sebastião Biano e Caetano Veloso), "Nítido e Obscuro" (Guinga e Aldir Blanc), "Assum Preto" (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e "O Canto da Ema" (João do Vale).

Viagens

A originalidade da proposta já levou o grupo a importantes palcos internacionais, a exemplo do Carnegie Hall, em Nova York, e a festivais de música como Free Jazz Festival, também nos Estados Unidos, Festival de World Music, em Marrocos, Festival de Fifres e Festival de Amien, na França, e até mesmo, a uma seara mais pop, como no Rock in Rio III.

O primeiro disco foi gravado em 1999 e teve participação de Lenine e Pedro Luís. O álbum rendeu ao grupo uma indicação ao Grammy Latino. O segundo, "Paru", apareceu sete anos depois. Foi dedicado ao pajé da tribo Yawalapiti, do Alto-Xingu, de quem Malta é amigo. Em 2014, o grupo se prepara para lançar mais um álbum, o primeiro ao vivo, registrado em sua turnê mais recente.

Mais informações:

Show "Pife Muderno 20 anos", com Carlos Malta. Dias 20 e 21, às 20 horas, e 22, às 19 horas, na Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). Ingresso: R$20 / R$ 10. Contato: (85) 3453.2770

 

Entrevista

"É uma expansão em direção a um crescimento artístico"

Andrea Ernest Dias
Flautista e integrante do Pife Muderno

Como foi para você, que era acostumada com a música de câmara, tocar em dueto com um pife, fazer parte de um projeto tão peculiar como é o Pife Muderno?

Na ocasião foi um desafio grande. Era um instrumento com o qual eu não tinha muita intimidade. Já tinha visto, feito contato com o pessoal de Caruaru. Eu conhecia o Zé da Flauta, de Recife, e durante uma apresentação lá com orquestra sinfônica, ele me recomendou visitar o João do Pife. Abri meu estojo, com uma flauta de prata, ele ficou bem encantado, me mostrou a banca dele de pifes. Aquilo me encantou. Era um outro tempo, outro ritmo, outra relação com a música. Isso aconteceu em 1991. De volta ao Rio de Janeiro, três anos depois, eu tocava na Orquestra Sinfônica Nacional, quando o Malta me convidou. Já tinha intimidade com ele, do grupo do Hermeto Pascoal, onde vários músicos da minha geração acompanhavam os ensaios, para beber na fonte daquela produção musical.

Você teve alguma dificuldade em virtude das limitações do pife?

É justamente o contrário. É uma expansão do recurso. Não me refiro ao instrumento, que, em si, tem muito menos recursos mecânicos que a flauta transversa. Mas aos recursos corporais e musicais. São muito grandes. É uma expansão em direção a um crescimento artístico. E nós, músicos, nos damos muito bem. Tanto que permanecemos todos até hoje no grupo.

Como foi a aceitação dessa proposta diferenciada no circuito de música instrumental?

O grupo, felizmente, circulou por quase todos os continentes. Fomos ao Japão, Estados Unidos, França, Dinamarca, Marrocos... A receptividade é sempre muito grande, tanto pela qualidade como pela empolgação do show. A conexão entre músicos e a banda Pife Muderno é bastante especial. Isso se reflete no palco. A gente participa tanto de festivais de jazz como de mostras internacionais de música de várias vertentes, além de festivais de música tradicional brasileira. (FM)

Fonte: Diário do Nordeste
Última atualização: 20/06/2014 às 10:30:03
 
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