Audiência na Câmara denuncia epidemia de adoecimento entre trabalhadores bancários

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Audiência pública realizada na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados abordou a grave situação de saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras do setor bancário, classificada como uma verdadeira epidemia de adoecimento, na terça-feira (23/9). A iniciativa foi proposta pelo deputado federal Vicentinho e reuniu representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério da Saúde, da Inspeção do Trabalho, da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e de sindicatos da categoria.

Representando os bancários do Ceará, estiveram presentes na audiência o secretário de saúde do Sindicato, Eugênio Silva e o secretário de saúde e condições de trabalho da Fetrafi/NE, Ailson Duarte.

Dados alarmantes apresentados durante a sessão revelam que o modelo de gestão dos bancos — marcado por metas abusivas, cobrança humilhante, vigilância digital e assédio moral e sexual — está diretamente associado ao sofrimento e afastamento dos empregados. Para a categoria, essas práticas violam a dignidade humana e destroem projetos de vida.

“O modelo de gestão dos bancos, que em seu bojo traz um sistema de produção agressivo, adoece os trabalhadores bancários, tal fato é constatado diariamente pelos sindicatos de bancários do país e confirmado pela palestrante do Ministério Público Federal presente na audiência. É um absurdo o representante da Fenaban negar essa relação de adoecimento”, destacou o secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários do Ceará, Eugênio Silva.

“O sofrimento dos bancários e bancárias não é acidente ou desvio de conduta. São políticas empresariais planejadas, que fazem parte do modelo de negócio dos bancos. Um modelo que transforma seres humanos em números e que está destruindo vidas”, afirmou Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT.

Salles destacou ainda que o lucro bilionário das instituições financeiras não pode continuar sendo construído à custa de depressão, ansiedade, burnout, afastamentos e até suicídios. “Não podemos naturalizar o sofrimento dos trabalhadores como ‘custo do progresso’. Não pode haver impunidade para os bancos. Não pode haver anistia para quem lucra adoecendo trabalhadores. É hora de responsabilizar e exigir que o sistema financeiro respeite a dignidade humana, cumpra a lei e garanta condições de trabalho saudáveis”, completou.

Durante a audiência, a Fenaban continuou negando a realidade ao defender que o setor oferece boas condições salariais e benefícios, questionando a metodologia estatística que relaciona os afastamentos ao trabalho. Em contrapartida, representantes sindicais e especialistas reforçaram a necessidade de intervenção legislativa e medidas de prevenção primária para humanizar o trabalho e combater o assédio.

Ao final, o apelo foi unânime: garantir justiça e dignidade para os trabalhadores bancários e bancárias, responsabilizando os bancos pelas consequências de um modelo de gestão que adoece em massa.

INSS

Na mesma data, houve reunião com o primeiro-secretário da Câmara, deputado Carlos Veras (PT), na qual os representantes sindicais entregaram um documento solicitando a intermediação para uma reunião com o copresidente do INSS e o Ministro da Previdência, buscando encaminhamentos para as demandas dos trabalhadores.

Fonte: Contraf-CUT

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