Audiência pública na Alece debate fechamento de agências bancárias no Estado

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O Sindicato dos Bancários do Ceará e a categoria bancária compareceram em peso à Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) nesta segunda-feira, dia 29/9, para uma audiência pública sobre o fechamento de agências no Estado. A audiência pública mista atendeu a requerimento do deputado estadual Guilherme Sampaio (PT) e do vereador Dr. Vicente (PT).

Durante o evento, os participantes debateram os impactos econômicos, sociais, nas relações de emprego, condições de trabalho e no atendimento à população em decorrência do fechamento de agências bancárias na capital, sobretudo na periferia, e interior.

“Em 2024 foram 1.700 agências fechadas em todo o país e 2.500 cidades no Brasil não dispõem de agências bancárias. O acesso virtual aumentou, mas boa parte da população fica de fora, principalmente idosos e pessoas de baixa renda. A inteligência artificial, por sua vez, aprende com os trabalhadores para eliminar esses mesmos trabalhadores. Quem fica, está sobrecarregado, enquanto isso, os bancos continuam lucrando e muito. O que estamos vendo é a maximização do lucro precarizando o atendimento à população e as condições de trabalho dos bancários”, destacou o deputado estadual Guilherme Sampaio (PT).

Há tempos, o Sindicato dos Bancários do Ceará vem denunciando o fechamento de agências e as consequentes demissões que estão ocorrendo em todo o Estado. São mais de 60 agências fechadas do Bradesco, 10 do Itaú e 14 do Santander nos últimos meses. O fechamento de uma agência prejudica todo o seu entorno, desde o comércio local, a população – que precisa de deslocar para mais longe e fica submetida a um atendimento precarizado – e os funcionários, que ficam sobrecarregados.

“É muito importante levarmos esse debate para além das agências bancárias. Hoje a categoria está adoecida por conta dessa gestão dos bancos. Quando fecha um banco numa cidade, toda a economia e o comércio local são prejudicados, pois as pessoas se deslocam para outra cidade e acabam deixando lá o dinheiro que antes deixavam no seu município, sem falar no gasto a mais e no risco de se deslocar para outra cidade para sacar um dinheiro”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, José Eduardo Marinho.

“Estão acontecendo audiências públicas em todos os estados sobre o tema fechamento de agências, envolvendo o impacto financeiro e social dessa prática, pois isso, infelizmente, está se tornando uma tendência nacional. No entanto, lembramos que os bancos são concessões públicas e devem atender aos anseios da população e não somente visar o lucro acima de tudo. Do jeito que está, os bancários estão sobrecarregados e adoecidos e a população tem seu atendimento precarizado”, completou o presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo.

O vereador Dr. Vicente, co-autor do requerimento que deu origem à audiência pública, destacou que o fechamento de agências prejudica toda a população, principalmente nos municípios mais pobres e na periferia. “Existem pessoas que não acesso e nem domínio da internet, não sabem manusear o aplicativo do banco. Aí a única agência que tem naquela cidade, fecha, a pessoa tem que se deslocar por vários quilômetros para sacar seu dinheiro em outro local, prejudicando todo o comércio local. E o bancário que já vive sacrificado tentando cumprir suas metas ainda se vê sobrecarregado com a demanda que chega de outra agência. Precisamos agir para mudar essa realidade”, disse.

Complementando o que disse o vereador Dr. Vicente, a secretária geral do Sindicato, Elvira Madeira, falou que a sobrecarga gera cobrança, que gera assédio, que gera adoecimento. “A média é de 30% da categoria afastada por conta da saúde mental e o fechamento de agências só agrava esse quadro. Está mais do que na hora de dizer um basta a essa situação”, destacou. A dirigente, que é empregada da Caixa, também falou sobre a ameaça de fechamento de agências do banco em todo o país. “A Caixa é mais que um banco, é um agente de políticas públicas, que atende o povo que mais precisa. Um banco desses não pode ter uma política de fechamento de agências”, afirmou.

Participaram ainda da audiência pública o assessor jurídico da Aprece Lincon Diniz, que falou sobre os prejuízos do fechamento de agências bancários nos municípios do interior, sobretudo os mais pobres; o procurador do Ministério Público do Trabalho da 7ª Região, Francisco Parente, que denunciou o monitoramento ilegal de funcionários do Itaú, que está sendo investigado pelo MPT, além do caso das demissões em massa no Ceará; Luis Alves de Freitas, representante da Superintendência Regional do Trabalho no Ceará (SRT/CE), que destacou a dificuldade de realocação no mercado de trabalho de funcionários demitidos, da importância de negociação com os sindicatos em casos de fechamento de agências e da inclusão dos trabalhadores nos processos de novas tecnologias; Oswaldo Viera, da Câmara de Dirigente Lojistas de Fortaleza (CDL), que ressaltou o impacto negativo no comércio local quando do fechamento de agências e o deputado estadual Acrísio Sena (PT), que ressaltou que diante da alta lucratividade dos bancos não se justifica o fechamento de agências e colocou seu mandato à disposição para tentar reverter esse processo.

Encaminhamentos

  • Interlocução da Assembleia Legislativa com outros poderes, como o Congresso Nacional, para debater o tema do fechamento de agências, visto que o problema está atingindo todos os estados do País;
  • Articulação de uma reunião com a presidência da Caixa Econômica Federal para debater o fechamento de agências;
  • A Assembleia Legislativa vai requerer ao Ministério Público Estadual, especificamente ao Decon e ao Procon estadual que façam audiências em seus respectivos escritórios, para que esse debate se dê também pela ótica da defesa do consumidor.
  • Criação de um grupo técnico, com a participação da assessoria jurídica do Sindicato e dos mandatos presentes à audiência pública, para analisar a viabilidade de um projeto de lei que garanta o atendimento mínimo à população;
  • Submeter ao plenário da Assembleia Legislativa requerimento de acompanhamento referente à denúncia do Ministério Público Federal do Trabalho sobre monitoramento de bancários que viola a privacidade dos trabalhadores e trabalhadoras.

Clique aqui e assista a audiência na íntegra.

Fonte: Bancários CE

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