
Na manhã desta segunda-feira, dia 12/1, os empregados da Caixa Econômica Federal no Ceará se reuniram em frente à agência da Praça do Ferreira, uma das mais tradicionais de Fortaleza, para celebrar os 165 anos do banco. Tivemos bandinha, emboladores e a distribuição de bolo em homenagem ao aniversário da Caixa.
Presente na vida de praticamente todos os brasileiros, o banco público é responsável pela execução das principais políticas sociais do Governo Federal e tem papel central no desenvolvimento econômico e social do país. No entanto, a data é marcada por contradições: enquanto os lucros crescem de forma expressiva, avançam o fechamento de agências, a redução da presença territorial e os impactos negativos para trabalhadores e comunidades.
“Um banco que faz parte da vida do povo brasileiro, que atende com dedicação a população mais carente, os trabalhadores, que realiza sonhos através do financiamento da casa própria, não pode fechar agências. Não pode diminuir sua estrutura, porque a população precisa ser, e tem direito, de ser atendida pelos empregados da Caixa”, destacou o presidente da Apcef/CE, Péricles Madeira.
“Nestes 165 anos, queremos reafirmar nosso compromisso com a defesa da Caixa 100% pública, socialmente responsável e com trabalhadores valorizados e respeitados. A história da Caixa é feita de pessoas e para pessoas — e são elas que devem estar no centro de qualquer projeto para o banco”, afirma do diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Túlio Menezes.
Fechamento de agências e prejuízos sociais
O processo de fechamento de agências da Caixa, iniciado em 2017, foi drasticamente intensificado em 2024 e 2025. Dados do Dieese mostram que a rede perdeu 196 agências desde então, passando de 3.404 unidades em 2015 para 3.208 ao final de setembro de 2025. Somente em 2024 foram encerradas 113 agências, e em 2025 outras 50 até setembro.
A redução da presença física do banco afeta diretamente a população mais vulnerável, sobretudo em pequenos municípios, áreas rurais e regiões remotas, onde a Caixa muitas vezes é o único ponto de atendimento bancário. Nessas localidades, o fechamento de unidades obriga famílias a percorrer longas distâncias para acessar benefícios e serviços que, em muitos casos, só podem ser resolvidos presencialmente.
“Durante a pandemia, a Caixa foi fundamental para atender a população mais vulnerável e não parou um dia sequer, com esforço e dedicação para auxiliar o povo nesse período delicado. Além disso, a Caixa é o braço operacional de programas como Bolsa Família, BPC, FGTS, abono salarial, Pronaf e políticas habitacionais. Milhões de brasileiros sem acesso à internet, pacote de dados ou smartphone acabam excluídos do atendimento quando uma agência fecha”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, José Eduardo Marinho.
Além do efeito social, o encerramento de agências provoca prejuízos diretos à economia de bairros e municípios. Agências bancárias funcionam como polos de circulação de pessoas e recursos, sustentando o comércio local e os serviços. Com o fechamento das unidades, comerciantes e microempreendedores enfrentam queda no movimento, redução das vendas e maior dificuldade para acessar crédito e serviços financeiros. Em diversas cidades, prefeitos e comerciantes relatam um verdadeiro “esvaziamento econômico” no entorno das agências fechadas.








A reestruturação da rede também tem imposto perdas significativas aos empregados. Apesar do compromisso assumido em mesa de negociação de que não haveria prejuízo de função ou remuneração, a realidade tem sido diferente. Empregados transferidos para unidades já saturadas acabam descomissionados, perdem gratificações e sofrem redução salarial. A sobrecarga aumenta, as filas crescem e o adoecimento físico e emocional se intensifica.
Por sua vez, os números financeiros mostram uma Caixa altamente lucrativa. O lucro líquido contábil alcançou R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, 15,4% maior que no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o banco somou R$ 13,5 bilhões, crescimento de 50,3%. Os ativos totais chegaram a R$ 2,2 trilhões. Ainda assim, o banco encerrou setembro de 2025 com 84,3 mil empregados — quase 20 mil a menos que em 2014 — e 49 unidades a menos em apenas 12 meses. O número de clientes ultrapassa 156 milhões, evidenciando a contradição entre expansão das operações e redução do quadro e da rede física.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários do Ceará defende a suspensão do fechamento de agências, a recomposição da rede física, a garantia das funções e remunerações, a retirada do teto do Saúde Caixa e políticas efetivas de promoção da igualdade racial e de gênero.
Aos 165 anos, a história da Caixa reafirma sua importância para o Brasil — e reforça que não há futuro para o banco sem valorização dos trabalhadores, presença territorial e compromisso real com sua função social.









