Categoria bancária enfrenta crise de saúde mental no trabalho

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“Cerca de 80% dos trabalhadores do ramo financeiro declaram ter tido pelo menos um problema de saúde relacionado ao trabalho no último ano. Deles, quase metade está em acompanhamento psiquiátrico. O principal motivo declarado para buscar tratamento médico foi o trabalho. Como se não bastasse o direito dos bancários inerentes a saúde está sob ataque dos banqueiros. O Santander, por exemplo, de forma unilateral, resolveu descumprir a Convenção Coletiva de Trabalho ao não pagar as antecipações de salário quando o bancário se afastou pelo INSS. Mas é importante enfatizar que o bancário não precisa sofrer sozinho: procure o Sindicato para saber como podemos lhe ajudar!” Eugênio Silva, secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários do Ceará

O Brasil vive uma grave crise de saúde mental, com impactos diretos na vida dos trabalhadores e das empresas. Dados do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2024, foram concedidas 472.328 licenças médicas por transtornos mentais. O número representa um aumento alarmante de 68% em relação ao ano anterior e é o maior registrado na última década. Em 2024, dos 3,5 milhões de pedidos de afastamento ao INSS, 472 mil foram motivados por transtornos mentais, um volume sem precedentes.

Diante desse cenário, o governo anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes para a saúde no ambiente de trabalho. Com as mudanças, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) passará a fiscalizar riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), o que pode acarretar multas para empresas que descumprirem as novas exigências.

Em 2024, a saúde mental foi a principal causa dos afastamentos na categoria bancária. Segundo levantamento do Dieese, com base em informações da plataforma Smartlab, produzida com registros do INSS, as doenças mentais e comportamentais foram responsáveis por 55,9% dos afastamentos acidentários e por 51,8% dos afastamentos previdenciários de bancárias e bancários do país. Em segundo lugar ficaram as doenças conhecidas como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), responsáveis por 20,3% dos afastamentos acidentários e 15,2% dos afastamentos previdenciários na categoria, em 2024. Em relação a todas as categorias do país, o setor bancário também se destaca negativamente. Apesar de representar somente 0,8% do emprego formal no Brasil, a categoria respondeu por 2,81% dos 168,7 mil afastamentos acidentários que ocorreram em 2024.

A cobrança por soluções contra adoecimentos nos bancos foi um dos principais temas da mesa de Saúde, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Os trabalhadores sempre cobrando providências urgentes para contornar a verdadeira epidemia de problemas mentais que afeta a categoria, enquanto os bancos negam praticar uma gestão adoecedora.

O trabalho bancário mudou muito. Hoje os bancários são obrigados a conviver com metas abusivas, assédio moral, vigilância digital e pressão constante. Esse modelo de gestão está adoecendo milhares de trabalhadores, levando a quadros de ansiedade, depressão, síndrome do pânico e até suicídio.

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