
Durante os dias 1º, 2 e 3 de agosto, aconteceu em Teresina (PI), a XIV Conferência Regional da Fetrafi/NE, que debateu temas como saúde da categoria, inteligência artificial, importância da unidade, da organização e da presença da categoria nas transformações no mundo do trabalho.
O Sindicato dos Bancários do Ceará participou com uma delegação de 50 bancários e bancárias que levaram a contribuição da categoria no Estado com relação ao fortalecimento das entidades e desafios como reestruturação do sistema financeiro, demissões em massa, precarização via terceirização, saúde física e mental e ascensão das novas tecnologias como instrumentos de substituição do trabalho humano.

Ao final, durante a plenária final no terceiro dia, foi aprovada por unanimidade a delegação da Fetrafi/NE que representará os oito sindicatos filiados na 27ª Conferência Nacional dos Bancários, que acontece de 22 a 24 de agosto, em São Paulo.
Primeiro dia
Na abertura do evento, os sindicalistas reafirmaram a defesa da soberania nacional e do papel histórico do movimento sindical frente aos desafios da classe trabalhadora, com destaque para o debate sobre inteligência artificial, justiça tributária, jornada de trabalho e democracia.
Durante a abertura, o presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, destacou a representatividade da entidade. “Aqui estão lideranças forjadas nas assembleias democráticas da base. Temos a tarefa de reconhecer a transversalidade das lutas sociais e ampliar o diálogo com os movimentos que estão nas ruas”, afirmou.
O presidente do Sindicato do Ceará, José Eduardo Marinho, foi enfático ao apontar que a defesa da democracia é condição elementar para qualquer conquista da classe trabalhadora. “Sem democracia, as pautas dos trabalhadores são ignoradas. Não estamos aqui apenas para discutir as demandas da categoria, mas para contribuir com o debate nacional e lutar pelos direitos de toda a sociedade.”
O avanço da inteligência artificial, as demissões em massa, o fechamento de agências e a perda de função social dos bancos públicos e análises de conjuntura internacional e nacional também foram pautas frequentes no primeiro dia do evento.
As intervenções também reforçaram o papel estratégico do plebiscito popular que será realizado em setembro, com foco na taxação de grandes fortunas, na defesa da jornada 6×1 e da soberania nacional.
Segundo dia
O segundo dia, realizado dia 2/8, foi marcado por debates de densidade política, social e econômica. As mesas temáticas colocaram no centro da discussão os impactos da inteligência artificial na organização do trabalho, o adoecimento crescente da categoria bancária e os riscos trazidos pela terceirização e pela bancarização digital. Foram reflexões que, embora situadas na realidade bancária, atravessaram temas de interesse geral da sociedade.
Inicialmente, ocorreu a apresentação dos representantes eleitos das administrações dos bancos públicos. Representantes da FUNCEF, CAREF BB, CEF e CAREF BNB trouxeram à mesa reflexões estratégicas sobre o papel dos conselhos, os desafios da transformação digital, a precarização do trabalho, a terceirização e a disputa de narrativas dentro das instituições.
Durante os debates, a delegação cearense marcou presença. O diretor do Sindicato, Ricardo Dantas, representante do Nordeste na COE BB, denunciou a lógica do “bancário antifrágil” no BB como forma de responsabilizar o trabalhador pelo próprio adoecimento. Já Roger Medeiros destacou que o compromisso com o CAREF é histórico na luta em defesa da função social dos bancos públicos. E Carmem Araújo fez um chamado à base para que se aproxime mais do trabalho dos conselheiros, que já têm buscado dialogar com a categoria.
Em seguida, a mesa Inteligência Artificial, Transformações no Trabalho e o Futuro da Categoria Bancária trouxe alertas e provocações. O palestrante convidado, José Vital, apresentou um panorama histórico e crítico do avanço tecnológico, destacando que a velocidade das mudanças provocadas pela IA não permite à classe trabalhadora o mesmo tempo de reação que teve em revoluções anteriores. “O que antes levava décadas, hoje acontece em poucos meses. A luta por regulação e proteção social precisa ser imediata”, afirmou.
O presidente do Sindicato, José Eduardo Marinho, destacou o papel da categoria bancária como uma das mais impactadas pelas transformações digitais: “Os dados são a moeda dos novos tempos, e a IA já faz parte de todos os cenários do nosso cotidiano. Nosso desafio é organizá-la a nosso favor, e não sermos engolidos por ela.”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente da Fetrafi/NE, ressaltou que o tema foi escolhido com base em uma escuta ativa da base e enfatizou a responsabilidade do movimento sindical diante dessa nova realidade. “Enquanto o capital investe bilhões em inteligência artificial, os sindicatos são os únicos capazes de organizar a resistência e defender um projeto de transformação social. O enfrentamento das big techs é também uma disputa por soberania”.
A IA já afeta a vida de bancárias e bancários, desde a automação de tarefas até o adoecimento por metas inalcançáveis. E os impactos recaem com ainda mais força sobre mulheres, pessoas com deficiência e grupos minorizados, como reforçaram as falas dos outros participantes do debate. A categoria bancária é a primeira a ter cláusulas específicas sobre IA em convenção coletiva. Mas a luta é urgente: a tecnologia avança em ritmo acelerado, enquanto os bancos cortam postos de trabalho. A única saída é a organização.
Na sequência, a conferência seguiu com a mesa Saúde Mental e Condições de Trabalho no Sistema Financeiro. Entre os diversos relatos trazidos durante a mesa, destacaram-se as denúncias de práticas abusivas, como a criação de “salas brancas” para bancários reintegrados após licença médica, a imposição de metas inalcançáveis e o assédio institucional naturalizado no cotidiano das agências.
Para Eugênio Silva, secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários do Ceará, “precisamos brigar ativamente pela responsabilização dos bancos diante do adoecimento dos bancários. O colega adoece, é reintegrado, e precisa conviver com o assediador. Isso reabre feridas e adoece de novo”. A saúde não pode ser moeda de troca para proteger a ganância do sistema financeiro. A categoria exige respeito, proteção e condições dignas de trabalho, em todos os bancos, públicos e privados.
Encerrando a programação do dia, a mesa Emprego, Terceirização e Bancarização Digital abordou os impactos estruturais do desmonte dos direitos trabalhistas, das transformações tecnológicas e do avanço da financeirização. O técnico do Dieese, Reginaldo Aguiar, apresentou dados econômicos que ilustram a estagnação produtiva do país diante de um sistema financeiro voltado à especulação. “Separaram a economia da política e da moral. Mas não há como pensar em crescimento sem um projeto nacional de desenvolvimento que coloque o Estado como indutor”, afirmou.

Ao fim dos debates, os delegados votaram e aprovaram uma série de moções políticas que sintetizam os posicionamentos da conferência:
- Moção de apoio às decisões do STF relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro – aprovada com duas abstenções;
- Moção de repúdio ao genocídio em Gaza – aprovada por unanimidade;
- Moção de repúdio ao teto imposto ao Saúde Caixa – aprovada por unanimidade;
- Moção de encaminhamento da sistematização de todos os debates realizados na conferência para a etapa nacional – aprovada por unanimidade.
Fonte: Bancários CE com informações da Fetrafi/NE









