Consciência negra: o combate ao preconceito deve ser uma luta diária de toda a sociedade

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Como romper o preconceito no mundo do trabalho? Esse foi o tema da roda de conversa alusiva ao Dia da Consciência Negra, que aconteceu na noite desta quinta-feira, dia 28/11, com a presença da secretária executiva de Igualdade Racial do governo do Estado, Martir Silva. O evento foi uma realização do Sindicato dos Bancários do Ceará, através da secretaria de Igualdade e Diversidade.

O evento iniciou com a uma animada apresentação do cantor Cumpade Barbosa, do Maracatu Vozes da África, com o melhor da MPB. O evento também teve a participação de Jair Freitas, do Teatro de Expressões, que fez uma apresentação de um trecho do poema Navio Negreiro (Castro Alves) e do Hino Nacional Brasileiro, emocionando a todos. “temos que usar a arte como forma de promover o ser humano e que isso se reflita na sociedade”, disse Jair.

Em seguida, o diretor do Sindicato, Alex Citó, apresentou alguns dados sobre o negro no mundo do trabalho, incluindo o trabalhador bancário. “Uma pesquisa realizada pela Contraf-CUT em 2012 e 2022 mostra que pouca coisa mudou nesses dez anos e que apesar de toda a nossa luta pela igualdade e oportunidades e o fim do preconceito, os desafios ainda são muito grandes”, ressaltou Alex. Pela pesquisa, em 2012, 18,9% dos bancários eram negros, enquanto em 2022 esse número aumentou para 26%. A diferença salarial entre brancos e negros também é significativa. “O negro no mercado de trabalho não precisa só ter competência, ele precisa se esforçar muito mais para conquistar o que o branco já conquistou com um caminho muito mais fácil”, completou Alex.

Para a secretária executiva de Igualdade Racial do Estado, Martir Silva, um dos primeiros passos para romper esse preconceito no mundo do trabalho e romper o sistema do mundo capitalista, é preciso deixar de reproduzir o preconceito. “O sistema capitalista e o mundo do trabalho, apesar dos esforços dos movimentos sociais para romper esse preconceito, ainda têm muito forte o preconceito ético/racial, o etarismo, o preconceito de gênero e o capacitismo. É nossa missão lutar contra isso, na busca pela igualdade de oportunidades”, destacou.

Martir ainda ressaltou que esse preconceito vem desde à época da escravidão, quando o negro é apontado como sem valor, menosprezando sua cultura e seus costumes. Quando foram libertados, eles não viraram mão de obra, mas os donos de fábricas incentivaram a imigração europeia, relegando o negro a subempregos, desocupados passivos de serem presos por vadiagem e empurrando-os para as periferias. E isso se arrasta até hoje. Se reproduz até hoje. “Por tudo isso é importante defendermos toda política pública que promova a igualdade, como a lei de cotas, para que se tenha o mínimo de competitividade e equidade. A luta contra o preconceito deve ser diária”, destacou.

“É preciso lutar pelas mulheres, pelos negros, pelos idosos, pelos homossexuais, pelos deficientes, para que possamos romper esse preconceito e esse é um dos desafios do movimento social, dos sindicatos e da sociedade civil organizada”, concluiu.

Ao final, houve sorteios de exemplares do livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves.

“Foi muito satisfatório para nós, que fazemos o Sindicato e a Secretaria de Igualdade e Diversidade, ter todos vocês aqui para esse debate extremamente necessário. É nossa missão lutar por igualdade e uma sociedade mais justa para todos, todas  e todes”, agradeceu Francileuda Pinheiro, secretária de Igualdade e Diversidade.

Fonte: Bancários CE

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