Diretora do SEEB/CE assume coordenação de Formação da Escola Sindical da CUT no Nordeste

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Espevitada, no bom dizer cearense, Lúcia Silveira é sindicalista desde 1994, tendo começado o caminho como diretora do Sindicato dos Bancários do Ceará, onde ainda é membro da direção. Ela também é membro da Direção Nacional da CUT, secretária de Formação da CUT Ceará e assumiu, em março, a coordenação de Formação da Escola Sindical da CUT no Nordeste Marise Paiva de Morais, em Recife – é a primeira vez que o Ceará está na coordenação executiva. Além disso, o nome de Lúcia Silveira é referência quando o assunto é Economia Solidária. Ela trabalha desde 1999 por novas relações nos empreendimentos, sem exploração e com comércio justo, através da Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), da CUT.


A Escola Nordeste é uma instituição de formação da CUT (há sete sedes no País), dirigida pelas nove CUT’s da região e existe desde o ano 2000, trabalhando com formação de jovens e adultos. Lúcia Silveira destaca o projeto “Todas as Letras”, que está na quarta etapa e atende a mais de dois mil alunos, distribuídos em 121 turmas, em 18 municípios do Ceará. Outro foco é a formação de dirigentes, e já há uma parceria com a Universidade Estadual de Pernambuco para realizar um curso de gestão sindical. Além disso, a Escola Nordeste mantém parcerias com instituições de países como Alemanha e Itália.


Nessa nova fase de militância, Lúcia afirmou que pretende estabelecer mais parcerias e tentar qualificar não só dirigentes, mas ter um foco na inclusão social, tema com o qual se identifica e já desenvolve trabalho. “A ideia é tentar qualificar novos dirigentes, requalificar os antigos, dos sindicatos da nossa base cutista, porque o que nós estamos vendo é que as outras centrais estão se qualificando. Nós, da CUT, na Secretaria Nacional de Formação, temos esse histórico de qualificar, mas só que agora estamos tentando ser mais arrojados, trabalhando com capacitações bem específicas – negociação coletiva, conselheiros. Já temos um trabalho através do Observatório Social e estamos tentando que os entes hoje se unam e que possamos ter uma atuação mais qualificada em determinadas áreas”, adiantou.


Além do trabalho com formação, a sindicalista é bastante conhecida pela atuação com Economia Solidária. Ela passou a intervir nessa área em 1999, quando a CUT criou a ADS. Para Lúcia, que deu oficinas em assentamentos e pôde desenvolver metodologias de ensino diferenciadas, o importante é que tipo de Economia Solidária se pretende desenvolver: “tem gente que trabalha apenas do ponto de vista do assistencialismo, outros que acham que Economia Solidária é eu fazer com que você coma hoje, eu não me preocupo com o amanhã. O que nós estamos querendo fazer aqui não significa que eu não possa trabalhar com a classe empresarial. Então, eu tenho que estar capacitada de ir ao mercado competir, e é com essa perspectiva que estamos trabalhando. A Economia Solidária para a CUT é de relações internas: de solidariedade entre as pessoas, esse sentimento de cooperação, a questão da autogestão”.


Com tudo isso, e muito trabalho pela frente, Lúcia disse estar muito animada e sentir-se realizada. “Estou feliz porque acho que consegui fechar um ciclo em que, profissionalmente, enquanto dirigente sindical, consegui me realizar. Tem gente que se realiza como bancário. Eu não. Eu me realizei enquanto CUT, enquanto Formação, que eu sou apaixonada”, finaliza.