
No último sábado, 11/4, na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, aconteceu o Encontro Estadual dos Bancários que, mesmo com forte chuva na cidade durante toda a manhã, reuniu mais de 100 bancários de bancos públicos e privados, da capital e do interior.
Durante o Encontro, os bancários debateram conjuntura política e econômica, o panorama da categoria atualmente, os desafios da categoria, além de apresentarem propostas da categoria no Ceará e elegerem os delegados para a Conferência Regional da Fetrafi/NE, que acontece no final de mês de abril, em Fortaleza, e aos congressos e encontros nacionais por banco.
Na abertura, o presidente do Sindicato, José Eduardo Marinho, explicou a dinâmica do Encontro e ressaltou que já foram realizadas mais de 250 reuniões por local de trabalho este ano com o objetivo de mobilizar para a campanha nacional dos bancários. “Temos percorridos as agências, tanto na capital quanto no interior, para ouvir as demandas da categoria, divulgar os eixos elencados pelo Comando Nacional para os encontros e conferência, explicar a conjuntura atual e falar dos desafios que teremos este ano, ressaltando sempre que a mobilização de todos é fundamental para garantirmos direitos e avançarmos nas conquistas”, destacou José Eduardo.
O presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo, ressaltou a importância das eleições desse ano para o avanço na luta dos trabalhadores. “Os desafios da campanha nacional desse ano serão enormes e temos de estar mobilizados para construirmos uma campanha vitoriosa. Mas precisamos estar alertas também para os projetos antagônicos que estão postos para as eleições presidenciais. Um representa o diálogo e o bem-estar social e o outro representa a barbárie. Vencer as eleições será fundamental para os avanços e as garantias de nossos direitos”, conclui.
A análise de conjuntura ficou por conta do professor da UFC, Fábio Sobral, que fez uma explanação sobre o cenário geopolítico mundial e os desafios dos trabalhadores frente a esse cenário. “Até hoje, os mais ricos nos consideram os camponeses e eles, os senhores feudais. Vivemos numa sociedade muito polarizada: uma parte tem a ideia de que se deve cortar gastos sociais, privilegiar o setor financeiro e barrar a distribuição de renda e riqueza. Outra parte quer debater as energias alternativas, além de políticas de mercados consumidores internos. E onde está o Brasil nisso tudo? O caminho para o Brasil é buscar a superação da dependência, produzindo softwares, medicamentos, Internet, satélite, sistemas de defesa, produção de conteúdo no geral. É preciso construir um projeto nacional reunindo as diversas categorias de trabalhadores para debater o Brasil que queremos”, ensina.
O coordenador técnico do Dieese, seção Ceará, Reginaldo Aguiar, abordou o panorama da categoria bancária, englobando as transformações do sistema financeiro, as inovações tecnológicas que estão deixando obsoletas várias carreiras, a digitalização das transações, com o uso da IA Generativa, a utilização massiva de dados e o teletrabalho. “A categoria bancária, que foi cerca de 1,5 milhão de trabalhadores, hoje gira em torno de 400 mil, as contratações agora são concentradas na área de tecnologia, as fintechs e cooperativas estão entrando forte no setor financeiro, fazendo tudo que um banco faz, mas sem bancários, sem segurança, sem muito critério, minando o emprego bancário gradativamente. A saída para os sindicatos e para esses trabalhadores está na ampliação da representatividade do setor”, aponta.
“Estamos perdendo poder de negociação porque estamos perdendo trabalhadores. Fortalecer as entidades e ampliar nossa representação para trabalhadores que estão à margem do setor financeiro é uma das saídas para esse momento. Além disso, vamos intensificar nossa mobilização, nossa unidade, para construirmos uma campanha nacional forte e vitoriosa”, finalizou o presidente do Sindicato, José Eduardo Marinho.






CONFIRA AS PRINCIPAIS PROPOSTAS APRESENTADAS DURANTE O ENCONTRO ESTADUAL
– Aumento real (5% + INPC);
– Formação e inclusão dos bancários às novas tecnologias;
– Investir na promoção da saúde e ergonomia;
– Combate ao etarismo nas agências com treinamento aos gestores;
– Valorização do trabalho de cuidado com flexibilização da jornada nesses casos;
– Ampliar a licença para acompanhar parentes doentes;
– Defesa do emprego;
– Combate ao adoecimento da categoria;
– Protocolo para o fechamento de agências nos bancos públicos e privados;
– Redução da jornada de trabalho para cinco horas diárias e regime 4×3;
– Discussão sobre as metas abusivas, com fim das mesmas;
– Abertura de concursos públicos para sanar a sobrecarga nas agências, com vagas voltadas a substituição de terceirizados;
– Distribuição linear da PLR;
– Melhorias nos planos de saúde, com adoção do modelo 70/30;
– Taxas de juros melhores para os funcionários;
– Defesa da presença humana no atendimento aos clientes;
– Manutenção dos vales e PLR para quem está de licença saúde, independente do tempo de afastamento;
– Programa de aporte previdenciário inclusivo, adotando o modelo 2:1 de contribuição por parte do banco para funcionários com deficiência;
– Criação de comitês PCD nos sindicatos e na Fetrafi/NE;
– Campanha unificada para mostrar a realidade dos bancos na mídia;
– Manutenção de todos os nossos direitos presentes na CCT e nos ACTs;
– Reajuste diferenciado para VA e VR;
– Incentivo à formação acadêmica dos funcionários;
– Combater a misoginia e a igualdade de oportunidades nos bancos;
– Prioridade para a pauta de isonomia de tratamento nos bancos públicos;
– Incluir o menor sobre guarda nos planos de saúde dos bancos.
Fonte: Bancários CE









