Fenaban ameaça excluir bancários da CCT e tenta transformar greve em punição

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A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) formalizou, em ofício enviado à Contraf-CUT no último dia 6/9, uma posição de forte pressão sobre os sindicatos e trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que rejeitaram as propostas patronais e aprovaram a greve como instrumento de luta.

No documento (clique aqui para ler o ofício da Fenaban), a entidade afirma que as bases que rejeitaram as Convenções Coletivas de Trabalho 2026/2028 não seriam signatárias dos instrumentos e que seus representados não estariam abrangidos pela nova CCT.

O risco é grave: segundo a própria Fenaban, encerrada a vigência das convenções anteriores em 31 de agosto de 2026, as cláusulas não permaneceriam produzindo efeitos para essas bases, com base na vedação à ultratividade prevista na CLT após a reforma trabalhista do governo Temer e em entendimento do Supremo Tribunal Federal. A federação patronal também declarou que não reabrirá nova negociação nacional destinada à celebração dos mesmos instrumentos com os sindicatos que deliberaram por não aderir à Convenção Coletiva de Trabalho nacional unificada neste ano.

Na prática, a posição patronal tenta transformar a legítima rejeição das propostas em exclusão da Convenção Coletiva. A Fenaban solicitou ainda a relação dos sindicatos que reprovaram os instrumentos, com o objetivo de confirmar a retirada dessas entidades dos acordos que serão assinados nesta quarta-feira, dia 9 de setembro, a partir das 14h, em São Paulo. O ofício da Fenaban também prevê que trabalhadores de bases que rejeitaram a celebração dos instrumentos não tenham assegurado o abono das ausências relacionadas a paralisações, manifestações ou greves.

Para o movimento sindical, a interpretação da Fenaban distorce a decisão soberana das assembleias. Rejeitar uma proposta insuficiente não significa abrir mão da negociação coletiva. Pelo contrário: os bancários não renunciaram à negociação coletiva, mas sim, rejeitaram propostas consideradas insuficientes e aprovaram a greve como instrumento legítimo para buscar avanços e a retomada das negociações.

O Sindicato dos Bancários do Ceará alerta a categoria para os riscos dessa ofensiva patronal e reforça a importância da unidade, da mobilização e da participação dos trabalhadores nas decisões coletivas. Rejeição não é renúncia. Greve é luta para continuar negociando.

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