Inflação e reajuste: perda real ou ganho real?

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A Campanha Nacional dos Bancários de 2026 começa antes da primeira rodada de negociação. Ela começa na vida concreta de quem trabalha nos bancos. No orçamento apertado. No preço dos alimentos. Na dívida do cartão. Na pressão por metas. Na sensação de entregar cada vez mais e receber cada vez menos reconhecimento.

É esse bancário e essa bancária que responderam à 9ª Pesquisa da FETRAFI-NE. Que estão participando da Consulta Nacional. Que acompanham as discussões nas agências, departamentos e plataformas digitais. E que, nos próximos meses, irão decidir os rumos da campanha nas assembleias da categoria.

Os números da pesquisa revelam um ambiente de forte desgaste. Apenas 14% afirmam não possuir dívidas. Outros 70% apontam a PLR como fundamental para quitar ou reduzir compromissos financeiros. Ao mesmo tempo, 71% consideram muito grave a pressão excessiva por metas; 65% apontam sobrecarga de trabalho; e 61% relatam desequilíbrio entre esforço e recompensa. Essa insatisfação é legítima. E precisa ser levada para a mesa de negociação. Mas dirigentes sindicais alertam para um debate importante: a frustração do cotidiano não pode levar a categoria a desprezar os instrumentos coletivos que ainda garantem proteção social, econômica e trabalhista.

Na campanha salarial existe diferença concreta entre perda e valorização. Reajuste abaixo da inflação reduz salário real. Reposição igual à inflação apenas preserva o poder de compra. Ganho acima da inflação representa valorização concreta da renda e impacto em férias, FGTS, 13º salário, aposentadoria e demais verbas.

Os dados mais recentes do DIEESE ajudam a compreender o cenário da data-base de setembro, referência da categoria bancária. Em setembro de 2025, 74% dos reajustes analisados no país ficaram acima da inflação medida pelo INPC. Outros 17,5% ficaram iguais ao índice inflacionário e apenas 8,5% ficaram abaixo da inflação. A variação real média foi de 0,74%. O boletim do DIEESE também aponta que, em períodos de inflação mais baixa, cresce a possibilidade de negociações com ganho real acima do INPC, ampliando a disputa sobre distribuição de produtividade e renda.

É justamente por isso que a CCT dos Bancários continua sendo considerada estratégica. A negociação unificada na mesa da Fenaban mantém bancários de bancos públicos e privados atuando juntos na defesa de salários, PLR, vales, cláusulas sociais e direitos históricos. Já no Banco do Brasil, o ACT específico trata de carreira, metas, saúde, tecnologia, condições de trabalho, concurso público e defesa do banco público.

A direção sindical também reconhece que parte da categoria deseja mais do que preservação de direitos. Quer carreira valorizada, jornada mais humana, proteção contra adoecimento e gestão algorítmica, uso da tecnologia negociado, concursos públicos e um Banco do Brasil comprometido com desenvolvimento, crédito e presença social no país. Nesse cenário, o movimento sindical dialoga diretamente com o sentimento da base. A avaliação das entidades é que o desafio da campanha de 2026 será transformar indignação individual em mobilização coletiva organizada para garantirmos direitos e avançarmos nas conquistas.

É esse bancário que responde pesquisa, participa da consulta e vota nas assembleias que definirá a força da categoria na mesa de negociação. Porque, na história recente, foi a organização coletiva que permitiu aos bancários atravessar reformas trabalhistas, ataques aos bancos públicos e processos de precarização sem perder direitos centrais da categoria.

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