Comando Nacional cobra a garantia de empregos e ultratividade do acordo

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu, nesta quarta-feira (26/6), com representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), para a primeira reunião de negociação, que tratou sobre “Emprego”. Antes de entrar no tema, os trabalhadores cobraram a assinatura da ultratividade do acordo, para que todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria sigam válidos até a assinatura do novo acordo.
Ao entrar no tema central da mesa, os trabalhadores apontaram que o setor bancário está na contramão de todos os demais setores do ramo financeiro, enxugando vagas e fechando agências. Segundo dados da RAIS (base de dados estatísticos, organizados pelo Ministério do Trabalho e Previdência), entre 2012 e 2022, a categoria bancária saiu de 513 mil pessoas para 433 mil, redução de 16% (79,5 mil). No mesmo período, as demais categorias do ramo financeiro aumentaram em 72% os postos de trabalho, passando de 323 mil para 555 mil. Enquanto isso, nos últimos cinco anos, os bancos fecharam mais de 3 mil agências, a maioria nas áreas com elevada necessidade social, ou seja, fora dos grandes centros, deixando as pequenas cidades desassistidas do serviço bancário.
O Comando Nacional também revelou aos banqueiros que a Consulta Nacional deste ano apontou que para 68% dos trabalhadores dos bancos privados a principal preocupação é com a garantia do emprego.
A Fenaban alegou que as vagas de emprego dependem de crescimento econômico. O Comando, então, propôs a assinatura de uma carta conjunta para cobrarem juntos, do Banco Central, a redução da taxa básica de juros, a Selic, que está em um percentual que faz com que o Brasil tenha um dos maiores juros reais do mundo, comprometendo o desenvolvimento do setor produtivo e a criação de empregos. “Ao invés de colaborar com o crescimento do país, o BC está contribuindo com os que vivem de especulação financeira”, reforçou Juvandia.
Terceirização
Com base em levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Comando apontou também que, em 2023, os bancos aumentaram em 22% a contratação de profissionais de TI, porém, no mesmo ano, houve o aumento de 89% de profissionais terceirizados nesta mesma área. Os representantes dos trabalhadores destacaram o caso do Santander, que vem substituindo bancários por contratados PJ, com salários de R$ 1.500, além de uma remuneração variável. Esses mesmos funcionários têm acesso ao sistema do banco e atendem aos clientes, sendo que, em alguns lugares, há relatos de que chegam a realizar cinco visitas ao dia.
Outras pautas da mesa
– Os trabalhadores cobraram ainda o retorno da homologação nos sindicatos, para que as entidades possam acompanhar de perto todo o processo, para garantia de direitos dos desligados;
– Qualificação e requalificação profissional, sobretudo diante da revolução tecnológica;
– Indenização adicional em caso de demissão.
Manifestações nas redes sociais
Durante a reunião, bancários e bancárias de todo o país foram mobilizadas para uma manifestação nas redes sociais, com o uso da hashtag #JuntosPorEmprego. As atividades em rede resultaram em mais de 136 mil reações e alcançou o 1º lugar nos tópicos mais comentados da rede X (ex-Twitter), no Brasil, nesta quarta-feira.
Calendário das próximas reuniões
Julho
2/7 – Cláusulas sociais
11/7 – Igualdade de oportunidades
18 e 26/7 – Saúde e condições de trabalho: incluindo discussões sobre pessoas com deficiência (PCDs), neurodivergentes e combate aos programas de metas abusivas
Agosto
6 e 13/8 – Cláusulas econômicas
20/8 – Em definição
27/8 – Em definição
Caixa apresenta proposta de reestruturação da rede
A Caixa Econômica Federal atendeu o questionamento da representação das empregadas e empregados e, nesta terça-feira (25/6), apresentou a proposta de “reposicionamento estratégico da sua rede de varejo”. Na verdade, trata-se da transformação de agências físicas com menor volume de transações, clientes e participação financeira em unidades digitais. A reestruturação atingirá 128 agências. Destas, 117 serão transformadas em digitais e 11 serão fechadas.
Com a medida, o banco aumentará o número de agências digitais das 60 que possui atualmente para 177. O banco subsidia o plano na informação de que, atualmente, 43% das transações na Caixa já são realizadas de forma digital. O objetivo da reestruturação, segundo o banco, é modernizar as operações e melhorar o atendimento, sem deixar de focar da humanização. O banco disse ainda que tem a intenção de expandir sua atuação nas cidades e localidades mais populosas, com mais de 40 mil habitantes, garantindo sua presença em todas as microrregiões do país.
Para o coordenador da CEE, mais do que abrir unidades digitais, a Caixa precisa estabelecer um plano de negócios focado na oferta de linhas de crédito e bancarização para a enorme parcela de brasileiros que é carente de serviços bancários e taxas acessíveis, mais baratas. “Apenas migrar para o digital não garante disputar clientes com os demais bancos. É preciso oferecer produtos com foco naquilo que é o nosso carro chefe, que é o atendimento social a uma enorme massa de pessoas, ávidas pelos serviços que nós podemos oferecer, mas acabamos perdendo parte deste público por carência de pessoal e infraestrutura das agências”, disse.
Impacto nos empregados – Os dados apresentados pelo banco mostram que 1.009 empregados trabalham nas 128 agências que serão atingidas. Aqueles que não forem transferidos para as 117 unidades digitais, reforçarão as equipes de agências físicas próximas ao seu local atual de lotação. O banco garantiu que não haverá necessidade grande deslocamento para o novo local de lotação e que este será sempre no mesmo município. Segundo a Caixa, nenhum empregado perderá função ou sofrerá perda na remuneração. Nos próximos dias a Caixa deve ser reunir com os superintendes regionais e os gerentes gerais. Em seguida, fornecerá os dados e a lista das unidades a serem atingidas, e o regramento da transição para que as representações dos trabalhadores possam acompanhar o processo. Mas a Caixa antecipou que todos os empregados poderão manifestar o interesse em atuar nas unidades digitais. A preferência, no entanto, será para pessoas com deficiência, ou responsáveis por dependentes PcD, devido à estrutura mais adequada de atendimento e maior possibilidade de flexibilização de jornada.
A Caixa garantiu que a equipe de treinamento do pessoal e preparação da transição será multidisciplinar e proativa. A previsão é que em 60 dias após o início do treinamento a transformação de agência física seja concluída, sempre com comunicados pessoais, não apenas por meio de correspondência, tanto para os clientes quanto para os empregados.
COE entrega minuta de reivindicações ao Itaú
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) entregou a minuta específica de reivindicações ao banco Itaú na manhã desta terça-feira (25/6). O documento, base para as negociações com o banco, foi definido no Encontro Nacional dos Trabalhadores do Itaú, realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) em São Paulo, no dia 6 de junho.
Os pontos prioritários são convênio médico, diversidade e ramo financeiro. Já a pauta permanente conta com emprego, remuneração, saúde e condições de trabalho, segurança e previdência. “Estamos enfrentando instabilidade nas instituições financeiras, com transformação tecnológica e redução de postos de trabalho. A pressão é maior e o número de adoecidos aumentou. Esperamos encontrar soluções nas mesas de negociação com o Itaú”, afirmou a coordenadora da COE, Valeska Pincovai.
Durante o encontro, o banco concordou em construir um programa mais democrático e transparente, para que a COE acompanhe os trabalhadores no processo de relocação e ofereça mais alternativas para eles, após o fechamento das agências. Ainda na reunião, o banco também anunciou a liberação de um empréstimo para os funcionários do Rio Grande do Sul: o Empréstimo Social.
Segurança: Em visita à Câmara Municipal, Sindicato avança na luta pela manutenção das portas giratórias
Nesta terça-feira, 25/6, o Sindicato dos Bancários do Ceará, representado pelos diretores Clécio Morse e Roger Medeiros, esteve na Câmara Municipal de Fortaleza, em articulação para a suspensão do projeto de lei que permitiria a retirada das portas detectoras de metais das agências de Fortaleza. A CUT/CE, através da sua presidenta, Lúcia Silveira, também participou das negociações.
A proposta de modificação do Estatuto de Segurança Bancária, que fora aprovado pela Câmara Municipal em 2012, de autoria do então vereador Acrísio Sena (PT), em estreita sintonia com os bancários e com os vigilantes, sofreria um revés com a possibilidade da retirada das portas giratórias das unidades bancárias em Fortaleza.
O projeto de lei 235/2023, de autoria do vereador Pedro Matos, do Avante, traria a possibilidade de que, a partir do plano de segurança da unidade bancária, houvesse a supressão das portas giratórias. Os representantes do Sindicato dos Bancários, recebidos pelo autor do PL, construíram uma negociação visando sobrestar o projeto aprovado na Câmara Municipal, que iria para redação final da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, que seria a etapa final do projeto de lei.
Nesta feita, a comissão articulou junto ao vereadores Júlio Brizzi (PT), Dr. Vicente (PT), Gabriel Aguiar (PSOL), Ana Paula Brandão (PSB), Iraguassú Filho (PDT, líder do Prefeito na Câmara) e Lúcio Bruno (PDT, presidente da CCJ da Câmara), o compromisso de construção, junto a CCJ da Casa, de uma adequação de redação que venha a atender a demanda da categoria bancária com a manutenção das portas giratórias nas unidades que tenham movimentação de numerário, seja por empresa de vigilância ou pela categoria bancária.
O diretor do Sindicato e funcionário do Santander, Clécio Morse, avaliou como positivo o processo de negociação junto ao autor do projeto de lei, do presidente da CCJ e demais vereadores. “O que seria um fato consumado de retrocesso com a retirada das portas de segurança transformou-se, a partir desse processo de negociação, em uma oportunidade de reiterarmos a necessidade orgânica do instrumento de detectores de metais para a segurança de bancários e clientes”, enfatizou o diretor.
“Avaliamos como uma importante vitória dado o andamento do projeto em questão que garante a vitória dos bancários, dos vigilantes e da sociedade”, destacou o diretor do Sindicato Roger Medeiros, funcionário do Banco do Brasil.






