2026 será lembrado como um ano de emoções, disputas e escolhas. O Brasil viverá Copa do Mundo, eleições gerais e mais uma Campanha Nacional dos Bancários. Mas, para os funcionários do Banco do Brasil, há um tema ainda mais profundo em disputa: o futuro do banco público e do próprio papel do Estado brasileiro no desenvolvimento nacional.
Quando setores políticos defendem privatização do Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste, não estão falando apenas de venda de patrimônio. Estão discutindo quem controlará instrumentos estratégicos de crédito, desenvolvimento regional, agricultura, políticas públicas e soberania econômica.
O Banco do Brasil não é um banco qualquer. Está presente no crédito agrícola, no financiamento da produção, no apoio aos municípios, no pagamento de políticas públicas e no atendimento de milhões de brasileiros que muitas vezes não interessam à lógica puramente privada do mercado financeiro.
Os funcionários do BB sabem disso porque vivem diariamente as contradições do setor bancário. Já convivemos com pressão por metas, reestruturações permanentes, redução de quadros, adoecimento, cobrança crescente por produtividade, fechamento de unidades e digitalização acelerada sem reposição proporcional de pessoal. A lógica privada já pressiona o cotidiano do banco. E justamente por isso o alerta precisa ser feito com clareza: se essa realidade já preocupa hoje, ela tende a se aprofundar drasticamente em um cenário de privatização.
Não existe “blindagem individual”. Não existe “eu me garanto”. A experiência do sistema financeiro privado demonstra o caminho: fechamento de agências, terceirização, enxugamento permanente de pessoal, precarização das relações de trabalho e intensificação da cobrança comercial.
As dores dos trabalhadores bancários já são muito parecidas em todo o sistema financeiro. A 9ª Pesquisa da FETRAFI-NE revela preocupação crescente com endividamento, insegurança econômica e riscos psicossociais entre bancários e bancárias do Nordeste. A pressão sobre saúde mental, carreira e qualidade de vida atravessa toda a categoria. Mas ainda existe uma diferença fundamental: o Banco do Brasil permanece como instituição pública, com negociação coletiva forte, compromisso social e presença estratégica no desenvolvimento nacional e regional. É isso que está em disputa em 2026.
A Campanha Nacional dos Bancários será decisiva para defender reajuste, PLR, direitos da CCT, ACT, Cassi, Previ, saúde e condições dignas de trabalho. Mas a categoria também precisa compreender que nenhuma conquista será plenamente segura se avançar um projeto de privatização dos bancos públicos.
Defender o Banco do Brasil público é defender emprego, carreira, concurso público, atendimento humanizado e presença do banco nas cidades do interior, na agricultura, no Nordeste e nas políticas públicas que sustentam milhões de brasileiros.
Nossa luta não é apenas contra a privatização. É pela defesa de outro projeto de banco e de país. Um Banco do Brasil forte, público, sustentável, próximo da sociedade e comprometido com o desenvolvimento nacional. Porque privatizar o Banco do Brasil não significa apenas vender uma empresa. Significa enfraquecer o Brasil.






