Sindicato discute metas, condições de trabalho e respeito à CCT com gestão do Banco do Brasil

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Na manhã desta quinta-feira, dia 30/4, na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, dirigentes sindicais se reuniram com a Superintendência Regional de Pessoa Jurídica 2 (Varejo) do Banco do Brasil, responsável pela atuação nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Participaram da reunião o Superintendente Regional, Bruno Lósorio e o consultor Alexandre, representando a gestão do banco, além do presidente do Sindicato, José Eduardo Rodrigues Marinho, e diretores da entidade, entre eles, Carlos Eduardo Bezerra Marques, presidente da Fetrafi/NE.

A Regional compreende 13 agências, 96 carteiras de pessoa jurídica e cerca de 300 trabalhadores. Cada carteira atende entre 150 e 300 clientes, compondo um universo econômico estimado entre R$ 1,2 bilhão e R$ 2,3 bilhões em operações. Esse volume expressivo evidencia a relevância estratégica da área e, ao mesmo tempo, amplia a responsabilidade sobre as condições de trabalho e a forma de gestão aplicada.

O sistema oficial do banco, o Conexão, estabelece como referência de 12 a 18 visitas mensais por carteira. Entretanto, relatos apresentados ao Sindicato indicam exigências de práticas de até duas visitas diárias e aproximadamente 44 visitas mensais.

Para o movimento sindical, esse descolamento entre o pactuado e o praticado gera sobrecarga de trabalho, pressão por resultados não formalizados e distorção do modelo de avaliação. A gestão do banco argumentou que as visitas não configuram meta, mas instrumento de relacionamento, mitigação de riscos e atualização cadastral. Ainda assim, a recorrência das cobranças indica um padrão que extrapola o caráter meramente instrumental.

Outro ponto central foi a denúncia de práticas associadas às metas não registradas no sistema oficial, referidas como “Projeto Para Tudo”. Segundo os dirigentes, atividades realizadas fora do Conexão não possuem critérios objetivos de mensuração, são avaliadas sob parâmetros comportamentais e dependem da interpretação do gestor. Esse modelo amplia a insegurança dos trabalhadores, pois desloca o eixo de avaliação de resultados objetivos para critérios subjetivos.

O Sindicato também apresentou questionamentos sobre práticas de ranqueamento de carteiras e unidades, exposição de desempenho e cobranças realizadas por mensagens e telefone. Essas práticas confrontam a Cláusula 39 da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, que regula o monitoramento de resultados e veda a exposição pública de rankings individuais.

Durante a reunião, a representação do banco sinalizou compromisso de rever práticas de ranqueamento e evitar cobranças por canais informais.

A discussão avançou para além dos números. Foi destacada a importância de condições dignas de trabalho, atenção aos aspectos psicológicos e gestão orientada por respeito e previsibilidade. Para o Sindicato, metas desconectadas do sistema oficial e cobranças informais impactam diretamente a saúde dos trabalhadores e o equilíbrio organizacional.

O Sindicato dos Bancários do Ceará reafirmou que seguirá monitorando as denúncias na base, avaliando o cumprimento dos compromissos assumidos e atuando pela observância integral da Convenção Coletiva da categoria. A entidade também reforçou que eventuais impasses devem ser tratados, prioritariamente, no campo da negociação coletiva, conforme previsto nos instrumentos da categoria.

“A reunião representou um passo importante no diálogo institucional. No entanto, destacamos que o elemento decisivo será a mudança efetiva na prática cotidiana das unidades”, ressaltou o presidente da Fetrafi/NE, Carlos Eduardo.

“O Sindicato permanece vigilante, atuando para garantir que o trabalho bancário seja exercido com respeito, equilíbrio e pleno cumprimento dos direitos coletivos”, concluiu o presidente do Sindicato, José Eduardo.

Fonte: Bancários CE

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