50 anos da revolução cubana

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Em 1º de janeiro de 2009 comemorou-se os 50 anos da revolução cubana. Cuba está saindo de um período difícil, causado por desastres naturais, após a Ilha caribenha ter sido atingida por três furações de grandes proporções em 2008, que destruíram parte de sua infra-estrutura e habitações. O mundo inteiro se solidarizou num gesto de reciprocidade com o País que tanto tem estendido sua mão a outros povos.


Naquele País há pouca riqueza material, mas há um povo simples e culto, simpático e sem stress, com índices estatísticos só comparados a países altamente desenvolvidos: população alfabetizada = 99,8%. De 1959 (1º ano da revolução) a 2007, a quantidade de escolas passou de 7.679 para 12.717, os professores passaram de 22.800 para 258.000, com uma população em torno de 11 milhões de habitantes, sendo o país com o maior índice de professores por habitante do mundo.


O País conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 para cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27!); 67 universidades gratuitas. Dados da Unesco em 2002 mostram que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% no Brasil). A expectativa de vida na ilha é de 77, anos e no Brasil é 69 anos.


Após o investimento no turismo e, posteriormente, a criação da moeda turística, cresce a entrada de divisas, possibilitando um rendimento para os trabalhadores destes setores acima do restante da população, ocasionando desigualdade, prostituição, pequenos delitos e até corrupção.


Consciente destes novos problemas, o povo cubano busca construir respostas coletivas, desencadeando um intenso processo de críticas e sugestões, através das organizações de massa e dos setores profissionais. Ate agora, mais de 1 milhão de sugestões foram recebidas e estão sendo trabalhadas.


Todas as escolas tem bibliotecas muito bem servidas de livros que vão de José Saramago, passando por Marx, Lênin, Jorge Amado, Machado de Assis, Shakespeare… O investimento na potencialidade do ser humano não pára ai. O desenvolvimento das artes – dança, pintura, música, poesia, desportos – é encontrado em cada escola, em cada esquina, em cada cidade.


O maior feito desta pequenina ilha, com um povo cheio de dignidade e coragem, terá sido o de mostrar ao mundo que é possível construir uma sociedade baseada no ser humano e não na mercadoria e na acumulação de capital.

Expedito Solaney, secretário de Políticas Sociais da CUT Nacional