A campanha dos financiários e a construção do ramo

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A CUT nasceu questionando os pilares da estrutura sindical oficial vigente, cujo principal problema é a ausência de garantia da liberdade sindical. Mesmo após seu reconhecimento legal neste ano, após 25 anos de sua fundação, a CUT e toda sua estrutura ainda não conseguiu levar a cabo uma reforma sindical que efetivamente garanta a democracia sindical. É nessa conjuntura que iniciamos mais uma campanha salarial dos financiários, com data-base em 1º de junho.


Após contarem com várias dezenas de milhares de trabalhadores, atualmente essa categoria registra menos de 10 mil trabalhadores. Isso significa que esses trabalhadores desapareceram ou a atividade econômica perdeu importância?


Para todas as perguntas a resposta é NÃO. Em todos os casos, tanto a presença desses trabalhadores quanto a expansão e expressão das empresas de crédito, financiamento e investimento, aumentaram. É que, se utilizando de “entendimentos” que lhes são favoráveis para realização de lucros, as empresas que atuam no setor passaram a se considerar Promotoras de Vendas, “enquadrando” seus trabalhadores como promotores de vendas, e não mais financiários.


Ora, qual a diferença de atuação e objetivo econômico entre elas? Nenhuma. O que são Fininvest, Taií, Losango, Finasa etc? Continuam tendo a mesma natureza econômica, ou seja, são empresas de crédito, financiamento e investimento. Continuam praticando intermediação financeira. Tanto é assim que até os grandes bancos entraram nesse jogo, utilizando essa estratégia de reorganização do capital financeiro para exponenciar seus lucros.


Vejamos as decisões da BV Financeira e da Aymoré Financiamentos (Banco Real), que preferiram não correr risco jurídico e registraram os trabalhadores como financiários. Temos que registrar que na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) realmente existe a figura dos promotores de vendas no setor de comércio. Só que o conteúdo dessa atividade é a demonstração de produtos em feiras, standes, departamentos. Isso não é o objetivo social de uma financeira.


Ora, se para nós não resta a menor dúvida de que estamos falando da mesma categoria profissional, para os trabalhadores sobrou a precarização de seus contratos de trabalho e das condições de vida. O piso salarial da categoria, hoje acima dos R$ 900,00 para uma jornada de 6 horas, se transformou para esses trabalhadores numa remuneração em torno de R$ 450,00, com uma jornada de 8 horas. Portanto, fica muito evidente a quem serve esse tipo de estrutura sindical.

Para alterar essa realidade nós cria-mos a Contraf-CUT, o que nos causa grande orgulho, por causa de seu objetivo estratégico e sua luta por justiça social. Por conta disso conclamo todos os dirigentes sindicais, bancários ou não, a se empenharem ao máximo na campanha salarial dos financiários, cuja principal reivindicação é a aplicação da mesma convenção a todos os trabalhadores. Não há nada de mais nisso: tratar os iguais, igualmente.

Miguel Pereira

Diretor executivo da Contraf-CUT