A força da mulher

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Tudo é muito, mas muito difícil para uma mulher. Como é para um negro, um indígena, um catador de material reciclável, um morador de rua. Primeiro, elas precisam provar que são gente, que têm a mesma inteligência e capacidade que o homem, e que não são rivais, mas parceiras. Segundo, quando chegam a algum espaço, cargo ou posição relevante, vem logo a cobrança, diferente da feita para o homem: “Mas como? Já está há tanto tempo no governo e ainda não fez nada?” – “Só podia ser mulher, sem capacidade e sem experiência!” – “Mulher é mesmo desastrada. Tem que botar um homem no lugar”. Terceiro, se o seu lugar histórico é na cozinha, ‘no e do lar’, como podem elas hoje serem médicas, engenheiras, pedreiras, metalúrgicas, motoristas, e agora, até presidentas!


Em 2010, terceiro milênio, muitos espaços ainda estão vedados para as mulheres. No máximo, sua profissão é ser professora: ganha pouco e tem a paciência necessária. Quando estão em empregos ou funções iguais ao homem, seus salários continuam menores. Seu esforço para mostrar competência tem que ser duplo ou triplo.


As mulheres brasileiras só puderam votar em 1934, há menos de oitenta anos, portanto. Pobres e trabalhadores sempre serviram de bucha de canhão das elites de pensamento europeu e cabeça norte-americana. Ser escravo (ainda hoje, muitas vezes) fazia (faz, na prática) parte da rotina de casa. A mulher negra é servidora da patroa. A Universidade até há pouco era para poucos e bem situados na vida. O presidente Lula vem dizendo que uma das coisas mais importantes de seu governo é o fato de os humilhados e ofendidos históricos deste País terem recuperado ou conquistado sua auto-estima.


Pedro Tierra escreveu, no poema Os Filhos da Paixão: “Hoje, temos uma cara. Uma voz. Bandeiras./ Temos sonhos organizados./ Queremos um país onde não se matem as crianças/ que escaparam do frio, da fome, da cola de sapateiro./ Onde os filhos da margem tenha direito à terra,/ ao trabalho, ao pão, ao canto, à dança,/ às histórias que povoam nossa imaginação, às raízes da nossa alegria”.


A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo. Nunca antes na História desse país houve algo assim”.


E as palavras da filósofa Marilena Chauí: “A minha geração viu um negro na presidência da África do Sul, um índio na presidência da Bolívia, um negro presidente dos Estados Unidos, um operário dirigindo o Brasil e verá uma mulher presidir o nosso País”. Se assim é, assim será.

Selvino Heck – Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política