A IMPORTÂNCIA DO PROCESSO NEGOCIAL NA NOVA PROPOSTA DA CASSI

30


Os representantes do Banco do Brasil apresentaram no último dia 27/3 sua proposta final sobre custeio e governança da Cassi para a mesa unitária de negociações (composta por sindicatos, Contraf e associações como ANABB e AFBB). A proposta é o resultado de vários meses de negociação, assessorada pelos dirigentes eleitos da Cassi, que fizeram inúmeras projeções e cálculos atuariais visando a sustentabilidade do nosso plano de saúde. As entidades de representação dos trabalhadores avaliaram que a proposta trouxe significativos avanços em relação àquela rejeitada pelos associados na consulta de 2018.


O processo de negociação foi bastante intenso com muitas mesas de negociação com debates técnicos, projeções e simulações utilizando os sistemas e apoio das áreas técnicas da Cassi. O primeiro diferencial dessa nova proposta é que dessa vez tivemos um processo negocial. A proposta rejeitada pelos trabalhadores no ano passado foi criada exclusivamente pelo banco, que quis nos tirar direitos estatutários empurrando uma proposta sem qualquer negociação com os sindicatos.


Abrindo-se o processo negocial, nos reunimos, discutimos, ponderamos e avançamos para que a proposta atual fosse melhor financeiramente para a grande maioria dos associados e desse mais segurança na governança. A proposta mantém a forma de custeio do plano (60%/40%), mas vai inserir a cobrança por dependente por percentual de salário, beneficiando mais quem ganha menos. Entretanto, os valores a serem cobrados pelos dependentes têm valor bem inferior ao que se pratica atualmente no mercado, com piso de R$ 50,00 e teto de R$ 300,00, sem levar em conta a idade do dependente.


Além disso, o percentual e reajuste vinculados ao salário traz mais segurança aos associados do que o reajuste pela inflação médica. A proposta não altera o modelo de governança no Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Diretoria. Considerando todos esses avanços, as entidades defendem a proposta.


Tudo isso valoriza a mesa de negociação. Quando os sindicatos foram para a mesa, e puderam construir conjuntamente uma proposta, nós conseguimos a efetiva proteção dos direitos associativos e no custeio conseguimos fazer discussões para efetivamente manter o nosso plano, resguardando-o e mantendo ainda as obrigações do Banco do Brasil. Além disso, o processo negocial garantiu a não adoção do voto de minerva e a não intervenção de agentes externos de mercado na Cassi, que não teriam qualquer compromisso com o funcionalismo do banco.


É importante preservar o futuro e a sustentabilidade da Cassi, num momento em que o governo toma medidas drásticas contra a classe trabalhadora, como a privatização de várias empresas públicas, o aprofundamento da reforma trabalhista com corte de direitos, a proposta de destruição da Previdência Social, o corte de verbas para educação e saúde públicas. Num cenário tão adverso, conseguimos construir uma proposta com avanços, garantindo direitos históricos dos associados, possível de ser apresentada ao Corpo Social. Sigamos na defesa da nossa Cassi, da nossa Previ e do Banco do Brasil como empresa pública e como agente de desenvolvimento social.


Carlos Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará