A necessidade de uma nova agenda política

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O Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) vem fazendo mesmo o quê ultimamente? É palco de grandes discussões? Tem legislado? Uma discussão interminável culminou com a renúncia da Presidência do Senado por parte de Renan Calheiros, depois veio a derrubada da CPMF e a perda de R$ 40 bilhões no orçamento público deste ano, agora a fabricada “crise dos cartões corporativos” ou a “CPI da tapioca”… e anteriormente a crise aérea … e tudo com imenso eco nos meios televisivos e nos meios de comunicação em geral. Em breve saberemos mais de cartões corporativos do que PAC e do PRONASCI como se estas siglas nada significassem e como se aqueles cartões dissessem muito para a vida nacional.


E em meio a tudo isso eis que surge uma nova pesquisa com popularidade recorde do presidente Lula, quase se igualando ao momento de sua primeira posse em 2003.

O que pensar então da agenda retratada especialmente pelas televisões e da que é discutida no Congresso Nacional?


Tudo leva a crer que pouco tem a ver com os reais interesses da vida das pessoas mais simples, isto é, de nós mesmos, simples mortais. É claro que estamos convivendo num País onde há uma grande violência, mas sabemos também das iniciativas tomadas pelos governos federal e estadual. O PRONASCI – Programa Nacional de Combate à Violência com Cidadania é um programa de grande alcance, com volume de recursos significativos investindo nas polícias civil e militar, em polícias públicas (lado preventivo) e envolvendo universidades no monitoramento do programa, além de articular os Estados e Municípios, priorizando inicialmente as áreas mais conflagradas.


Para avançar na economia é preciso fazer a reforma tributária. E nós nos juntamos à CUT apoiando a medida que onera os bancos e queremos muito mais: tributação nas grandes fortunas e nas heranças, simplificação do sistema tributação e outras medidas capazes de beneficiar o mundo do trabalho. Igualmente é possível gerar mais empregos com a redução da jornada de trabalho e aí novamente nos juntamos à CUT e a todas às centrais sindicais fortalecendo esta luta.


No plano político é necessário que se faça a reforma política se iniciando com os temas mais desobstruídos: financiamento público e fidelidade partidária, por exemplo.


É evidente que as reformas política e tributária, no ângulo popular, bem como a redução da jornada de trabalho, só se efetivarão com pressão popular: isto é, com luta organizada através das entidades, como associações e sindicatos.


O calendário eleitoral de 2008 e 2010 tem uma importância estratégica na medida em que simbolizam grandes projetos políticos a serem legitimados pela sociedade. As entidades sindicais especialmente têm a tarefa de mobilizar suas bases permanentemente, pois esta é a condição de sucesso na luta por suas reivindicações específicas e mais gerais. O Sindicato dos Bancários do Ceará alerta: o verdadeiro debate político que nos interessa é o que leve à reforma tributária, à reforma política e à redução da jornada de trabalho – esta pauta tem inclusive unificado os principais partidos de esquerda do nosso País: PT, PSB, PCdoB e PDT. Juntemo-nos, pois, a eles desde já nos mobilizando.