Afastamentos por doença já superam 13%

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Na noite do dia 27/12, o Sindicato dos Bancários do Ceará se reuniu, na sede da entidade, com funcionários do Banco do Brasil incluídos na Plataforma de Suporte Operacional (PSO). Na ocasião, foram debatidas formas de pressionar o banco a solucionar os inúmeros problemas causados pela Plataforma.


A extrapolação da jornada foi uma das principais reclamações. Os relatos são graves: foi apontada uma média de três horas a mais na jornada sem o intervalo de uma hora para almoço previsto em lei. “O simples fato das horas extras já sinaliza a carência de funcionários. Uma medida simples e rápida é o aumento de funcionários nos caixas. No Ceará, o banco diminuiu o número de trabalhadores, gerando sobrecarga de trabalho”, destaca o diretor José Eduardo Marinho.


Mais denúncias – Foi denunciado também que os caixas não estão exercendo o direito de descanso de 10 minutos para cada 50 minutos de trabalho contínuo, assegurado pelo Acordo Coletivo de Trabalho 2012/2013. Por conta da sobrecarga de serviço, a média de ausências por saúde chega a 18 ao mês, de um total de 135 caixas. “Em um cenário onde o quadro de funcionários já é insuficiente, esse percentual de 13% de ausências é insustentável. Esses números tendem a aumentar porque o sistema não funciona e os funcionários estão realmente adoecendo”, alerta Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato.


As reclamações sobre os “rodízios malucos”, que deixam os funcionários sem um local de trabalho fixo, também foram reforçadas. Há relatos de um funcionário que se deslocou por 18 agências em seis meses e de outro que, em apenas um dia, abriu três caixas em locais diferentes. “Imagina você não saber qual é seu local de trabalho? Isso interfere, de forma negativa, na rotina pessoal e profissional do indivíduo”, diz José Eduardo, acrescentando que existem problemas também quanto ao mobiliário dos caixas, que muitas vezes encontra-se com os guichês quebrados, sem gaveta e sem tranca. “Isso evidencia ainda mais o modelo falido e precário do PSO”, completa.


Mais reclamações – Outro absurdo implantado pela Plataforma é a padronização do tempo de atendimento em menos de dois minutos. “Esse tempo máximo é inviável diante das diferentes demandas. Isso prejudica o trabalho dos funcionários, precariza o atendimento e ainda expõe os funcionários a falhas e fraudes. Há registros de que determinados caixas atingem uma média de atendimento de 20 segundos. Um indício de fraude gigantesco. Além disso, existem denúncias de que o cliente não pode conferir o dinheiro na hora, durante o atendimento”, afirma José Eduardo. As queixas dão conta ainda de que existe pressão para que os bancários não utilizem direitos como férias e abonos.


A lista crescente de reclamações desde a implantação da Plataforma fez com que o Sindicato denunciasse diversas vezes o caos em que a rotina dos funcionários se transformou por conta da PSO. Uma unanimidade negativa, constatou o Sindicato. “O banco, mais uma vez, age como um ‘fora da lei’. Não cumpre a CLT, não cumpre o Acordo Coletivo, não cumpre a Lei dos 15 minutos. A preocupação do banco é mandar o cliente embora o mais rápido possível. Não importa se o serviço foi bem feito ou se o atendimento foi bom”, denuncia o diretor Gustavo Tabatinga.


“O BB precisa reconhecer que esse modelo de atendimento é insustentável. Como isso não está acontecendo, vamos acionar o Ministério Público do Trabalho para garantir que a ordem seja restabelecida no cotidiano desses bancários, com melhores condições de trabalho e um bom atendimento ao cliente. Os responsáveis pelo PSO não conseguem solucionar os problemas porque a Dinop perdeu o rumo, não sabe o que fazer”, afirma Carlos Eduardo, alertando a importância do bancário não mascarar o desempenho no atendimento nos caixas.


O Sindicato alerta que a maior proteção do trabalhador, nessas situações, é o cumprimento fiel das normas do banco e não das orientações que estão sendo dadas fora da norma. A entidade exige soluções urgentes e o cumprimento das reivindicações quanto a garantir local de trabalho permanente, carreira para os caixas, fim da lateralidade, pagamento de substituição e aumento do efetivo. Todas as denúncias serão repassadas oficialmente à Contraf e à Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil. A intenção é tornar esta pauta item prioritário na próxima negociação com o BB.


Entenda – O modelo PSO centraliza os caixas executivos e gerentes de serviço em uma dotação única por região abrangida, acabando com o vínculo desses funcionários com uma agência específica e permitindo o surgimento dos chamados “caixas flutuantes”, que podem atuar em qualquer unidade circunscrita naquela PSO.


O Banco do Brasil iniciou a implantação das PSO em 89 municípios que tenham mais de cinco agências, num total de 101 plataformas, abrangendo mais de 1.500 agências. No Ceará, a Plataforma atinge 61 subordinados, todos em Fortaleza, sendo 37 agências e 24 PABS.


Em julho deste ano, o Sindicato se reuniu com os gerentes da PSO para apresentar todos os problemas que chegaram ao conhecimento da entidade. Os diretores sindicais exigiram que as dotações da PSO fossem revistas e aumentadas. Os representantes do BB, por sua vez, garantiram realizar ajustes e se comprometeram a facilitar a locomoção dos gerentes de serviços, distribuindo-os em locais próximos as suas residências. O compromisso, porém, não está sendo cumprido e os problemas persistem.