Agências bancárias não possuem biombos que podem dificultar assaltos

17

O isolamento visual entre quem aguarda na fila do banco e quem está no caixa é obrigatório, em Fortaleza, desde o início do ano, quando entrou em vigor a Lei 9.605, sobre o atendimento reservado nas agências bancárias. Entretanto, até agora, só um banco enquadra-se nas exigências previstas na lei. Em Fortaleza, o HSBC tem cinco agências e todas elas estão equipadas com biombos entre a fila de espera e os caixas, desde abril último. Na agência Aldeota, o uso do anteparo existe desde 2008.


A lei municipal, cujo descumprimento prevê multas diárias, visa coibir o assalto do tipo “saidinha”, quando um olheiro que está dentro do banco repassa informações para os ladrões que estão em motos do lado de fora da agência. Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará (SEE/CE), Carlos Eduardo Bezerra, esse tipo de assalto já está tão banalizado que as vítimas nem registram o caso na polícia. “Isso representa um problema porque a maioria dos casos nem entra nas estatísticas”, disse.


No último levantamento feito pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), entre janeiro a maio do ano passado, haviam sido roubados R$ 991.307 em 149 “saidinhas”. Motocicletas foram utilizadas nas fugas em 80,5% dos casos. A abordagem é feita, em maior recorrência nos bairros Aldeota, Meireles e Centro, no período da tarde.


A instalação de biombos pode impedir também os assaltos tipo “chegadinha”, quando os clientes levam grandes quantias para realizar depósitos, observa o delegado Jairo Pequeno, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE).


“O atendimento reservado institui maior reserva, de modo que diminui o risco tanto para o cliente como para o bancário. Como não existe nenhuma determinação do Banco Central em relação a essa lei, que é municipal, nossa luta é para que essa recomendação ganhe prospecção nacional”, diz Bezerra.


Em alguns municípios brasileiros, a determinação se estende também sobre o uso de aparelhos celulares durante o atendimento feito nos caixas.