Apesar da alta lucratividade, bancos demitem mais de 10 mil trabalhadores em 2013

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O Itaú teve lucro líquido recorrente de R$ 15,836 bilhões em 2013, o maior resultado da história do sistema financeiro nacional, que representa crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. A lucratividade foi de 20,7%, o dobro da média do sistema financeiro mundial. Apesar disso, o Itaú fechou 2.734 postos de trabalho em 2013.  Esse resultado, somado com o do Bradesco e do Santander, mostra que os três maiores bancos privados que operam no País lucraram R$ 34 bilhões e fecharam 10.001 postos de trabalho em 2013.


DIEESE analisa – Apesar de apresentarem conjuntamente um lucro líquido de R$ 17,9 bilhões, Bradesco e Santander fecharam 7.267 postos de trabalho em 2013, andando mais uma vez na contramão da economia brasileira. Conforme análise do Dieese, o Bradesco lucrou R$ 12,2 bilhões, mas cortou 2.896 vagas. Apenas no último trimestre do ano passado, o banco fechou 921 postos de trabalho. E o Santander Brasil, que gerou lucro de R$ 5,7 bilhões, eliminou 4.371 postos de trabalho. Houve extinção de 957 vagas apenas no quarto trimestre.


No Ceará, Bradesco é campeão – O Bradesco foi o banco que mais demitiu no Ceará em 2013, com 94 desligamentos. Destes, 29 entre 26 e 30 anos de idade. O Itaú ficou em 2º lugar, com 50 desligamentos, seguido pelo Santander, com 44 desligamentos durante o ano de 2013. Os bancos cearenses realizaram 526 desligamentos em 2013. Excetuando os maiores de 50 anos (173 desligamentos), que desligaram-se, a maioria, por pedido, a faixa de idade onde houve mais desligamentos foi entre 26 e 30 anos (102), comprovando a tendência de rotatividade no setor financeiro também no Ceará.


“O principal desafio dos bancários em 2014 é lutar contra as demissões, por mais contratações e pelo fim da rotatividade e das terceirizações, como forma de proteger e ampliar o emprego”, avalia o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra.


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“Os bancários defendem um outro sistema financeiro para os trabalhadores e a sociedade. Não é possível que os bancos continuem com essa política nociva de reduzir custos e cobrar juros e tarifas abusivas para lucrar ainda mais, sem olhar para o impacto nos trabalhadores, nos clientes e na economia do País”
Aléx Citó, funcionário do Itaú e diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará