Apesar do banco ter negado demissões, Sindicatos estão atentos

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“Houve um mal-entendido”. Esta foi a explicação dos representantes do banco Itaú, dada ao Comando Nacional dos Bancários e a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, em reunião realizada na quarta-feira (23/9) em São Paulo. O objetivo do encontro foi o de esclarecer as declarações do diretor da Área de Varejo do Itaú, Marco Bonomi, sobre o fechamento de agências de tijolos substituindo-as por agências digitais e cortes de postos de trabalho na instituição financeira. Segundo os representantes do Itaú, Bonomi foi mal interpretado pela imprensa. Na reunião, a direção do banco negou o fechamento de agências e a eliminação de postos de trabalho.


Para o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, os bancos sempre alegam mal-entendidos. “Eles sempre dizem que a gente entendeu diferente o que eles falam, mas é uma desconfiança legítima de nossa parte. Reestruturação no sistema financeiro é sinônimo de demissão. Os nossos sindicatos estão alertas e vão acompanhar muito de perto este processo de transferências de contas da rede física para a rede digital”, comentou.


Segundo o coordenador da COE do Itaú, Jair Alves, os trabalhadores foram pegos de surpresa com a nova política do Banco. “Este novo modelo não afeta apenas a questão do desemprego que abala a categoria, mas também vem afetando a remuneração dos bancários, que perdem com a diminuição do número de contas das agências solos para as digitais. A meta dos funcionários das agências solos não é alterada com número de contas que sai da agência. O que agrava o problema das metas abusivas”, explicou Jair.


PCR e Bolsa de Estudo – Os representantes dos trabalhadores também entregaram uma carta ao Itaú sobre o Programa Complementar de Resultados (PCR), onde reivindicam a correção dos valores previstos em acordo, com a vigência de dois anos, ou seja, um valor condizente com os altos lucros que o Itaú vem obtendo, de 23,5%, passando a R$ 5.100,00. No tocante às concessões de Auxílio-Educação aos funcionários do banco mediante acordo, definiu-se pela reivindicação da atualização dos valores praticados, em 23,5%, passando a R$ 392,50.


“Vamos acompanhar de perto toda a movimentação desta nova fase do banco. Não vamos permitir que o campeão de lucratividade seja também o campeão de demissões e vamos cobrar que o Itaú respeite e valorize seu funcionalismo, que é o principal responsável pelos altos lucros do banco”
Ribamar Pacheco, diretor do Sindicato e representante da COE Itaú na Fetrafi/NE