Apesar do corte das taxas de juros, Caixa tem lucro recorde

17


Maior aposta do governo Dilma para acirrar a concorrência bancária, a Caixa Econômica Federal encerrou 2012 com um crescimento de 42% no volume de crédito, de longe o maior ritmo do sistema financeiro, adquirindo um porte para ameaçar os rivais Itaú e Bradesco. No Bradesco, o crescimento foi de 11,5% e, no Itaú, de 9%.


Para a Caixa, a combinação de forte expansão dos negócios e baixo calote resultou num lucro recorde de R$ 6,07 bilhões, 17% maior que o de 2011. O desempenho destoa dos bancos privados, que tiveram queda nos lucros ou empataram com o obtido no ano anterior. Já Patrimônio Líquido do Banco ampliou-se, nesse período, 28,1% em relação ao de 2011 e alcançou o patamar de R$ 25,1 bilhões. Assim, o Banco fechou o exercício de 2012 com uma Rentabilidade sobre o Patrimônio Liquido Médio, anualizada (ROE), da ordem de 27,2%.


Contrariando as previsões econômicas mais conservadoras, essa expansão na oferta de crédito pela Caixa não resultou em um aumento de sua taxa de inadimplência. Pelo contrário, a taxa de inadimplência manteve-se “bem comportada”, baixa e estável, na casa dos 2,0% do total da carteira. Entretanto, as despesas com Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PDD) acompanharam esse crescimento e subiram 12,7% em relação a 2011.


A relação entre as Despesas de Pessoal e a Receita de Prestação de Serviços somada à Renda de Tarifas Bancárias, em 2012, mostra que essas receitas secundárias do banco superaram as despesas com pessoal em 5,6%, uma redução de 3 p.p. em comparação a 2011.


A Caixa ampliou em 2012 seu quadro funcional em 7.923 trabalhadores passando de 85.633 mil empregados em 2011 para 92.926 mil em 2012. Ainda nesse mesmo período, foram abertas 559 agências, totalizando 2.868 agências em todo o País. Os números da Caixa demonstram, muito claramente, que a ampliação das contratações e a expansão da rede de atendimento, mesmo em um cenário de queda de taxa de juros e spreads, não impactaram negativamente na rentabilidade do banco.


Junto com o Banco do Brasil, a Caixa liderou um movimento de corte nas taxas de juros, tarifas e custos dos investimentos, que foi colocado em xeque no setor financeiro sob o argumento de risco de explosão dos calotes. O balanço do banco, por exemplo, mostra que esse cenário pessimista não se confirmou.