Apesar dos altos lucros, bancos reduzem agências e cortam empregos

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O fechamento de postos de trabalho e a redução das estruturas envolvendo agências, de olho na diminuição dos custos, têm evidenciado que os bancos seguem na contramão dos demais setores da economia. Apesar dos altos lucros obtidos, milhares de empregos vêm sendo cortados pelas instituições financeiras nos últimos anos. Em reportagem publicada no dia 19/11, o jornal Valor Econômico aponta que os maiores bancos privados do País estão revendo seus planos de inauguração de agências.


A paranóia do momento para o sistema financeiro é a chamada eficiência operacional e o foco tem sido particularmente o corte dos postos de trabalho.


A rotatividade na categoria bancária, apesar de não ser a maior taxa da economia, é a que mais reduz os custos com mão de obra. Enquanto no comércio e serviços, por exemplo, a rotatividade representa uma redução salarial em torno de 8% a 10%, nos bancários a diferença salarial entre os que saíram demitidos e os novos contratados chega a 50%.


Atendimento quase sem bancários – O diretor do SEEB/CE, Ribamar Pacheco alerta que a consequência deste processo são as filas intermináveis aos clientes e a proibição de que realizem tarefas simples, como a utilização do caixa para depósitos ou pagamento de contas. “Para os poucos bancários que sobraram na área de atendimento das agências fica a sobrecarga de trabalho, assédio moral, estresse e adoecimento”, denuncia Ribamar.


No entanto, têm sido crescentes os investimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias. “As instituições financeiras estão criando novos terminais eletrônicos que eliminarão processos de trabalho, como conferência, validação de procedimentos e crédito automático na conta corrente dos clientes. Será inclusive possível fazer depósito em cheque, enviando a imagem para o banco via celular”, explica.


Além disso, há novas tecnologias, particularmente o mobile payment ,agora sob o amparo da lei nº 12.865, de 9 de outubro, sancionada pela presidenta Dilma. Os bancos e também empresas não financeiras irão massificar a utilização dos celulares para pagamento de contas, o que para os bancos será mais uma forma de evitar que os clientes busquem o atendimento convencional nas agências.


Correspondentes – Os bancos tem expulsado os clientes de menor renda e usuários de serviços bancários para os correspondentes, que já ultrapassaram os 360 mil pontos de atendimento terceirizado no País. Para ele, os bancos estão novamente seguindo na contramão porque utilizam de mão de obra já contratada pelo comércio, não gerando novos postos de trabalho também fora das agências. “Trata-se de desvios de função, metas abusivas para a venda de produtos e serviços financeiros, riscos à vida e à segurança desses trabalhadores, já que aumentou o volume de recursos transacionados pelos trabalhadores, sem qualquer tipo de segurança”, conclui Ribamar Pacheco.