Apesar dos lucros, bancos cortam 5 mil postos de trabalho no Brasil em 2014

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O sistema financeiro nacional fechou 5.004 postos de trabalho em 2014 e manteve o alto índice de rotatividade no emprego dos anos anteriores, como mecanismo para achatar a média salarial. Os bancos agem assim na contramão da economia brasileira, que gerou 396.993 novos postos em 2014.


Os dados são da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).  Os maiores cortes ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com 1.847, 984, 857 e 587 cortes, respectivamente.


No Ceará, foram demitidos 497 bancários em 2014, conforme dados estatísticos do Sindicato dos Bancários, que registrou que 53,3% dos demitidos eram homens e 43,7% eram mulheres. O tempo médio de serviço dos demitidos no banco é de 25 anos (43%). Com até cinco anos de serviço foram 32,2%. Entre 6 e 10 anos de serviço foram 14,7%; entre 11 e 15 anos foram 5%; entre 16 e 20 anos foram 1,6% e entre 21 e 25 anos foram 3%.


Entre os bancos privados, o Bradesco foi o campeão de demissões no Ceará, com 88 afastamentos, seguido pelo Itaú, com 63 demissões e em terceiro aparece o Santander, com 31 desligamentos. Entre os bancos públicos, o primeiro colocado é o Banco do Nordeste, com 126 desligamentos, sendo  77,8% incentivados por Plano de Aposentadoria, e em segundo vem o Banco do Brasil, com 90 desligamentos, sendo 54,4% por aposentadoria, 7,8% com justa causa e 35,6% a pedido.


“É injustificável essa eliminação de postos de trabalho num dos setores mais lucrativos da economia, ostentando os maiores índices de rentabilidade de todo o sistema financeiro internacional”, afirma Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará.


Rotatividade achata salários – De acordo com o levantamento Contraf-CUT/Dieese, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta no período. Os bancos brasileiros contrataram 32.952 funcionários e desligaram 37.956. A pesquisa mostra também que o salário médio dos admitidos pelos bancos no ano passado foi de R$ 3.374,99 contra o salário médio de R$ 5.338,12 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 37% menor que a remuneração dos que saíram.


Essa diferença prova que os bancos privados continuam praticando a rotatividade, um mecanismo cruel utilizado para reduzir a massa salarial da categoria e aumentar ainda mais os lucros. Nos últimos 11 anos, os bancários conquistaram aumentos reais consecutivos, mas esses ganhos estão sendo corroídos pela rotatividade, freando o crescimento da renda da categoria.


Desigualdade entre homens e mulheres – A pesquisa mostra também que as mulheres, ainda que representem metade da categoria e sejam mais escolarizadas, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração, ganhando menos do que os homens quando são contratadas. Essa desigualdade segue ao longo da carreira, pois a remuneração das mulheres é bem inferior à dos homens no momento em que são desligadas dos seus postos de trabalho. Enquanto a média dos salários dos homens na admissão foi de R$ 3.805,74 em 2014, a remuneração das mulheres ficou em R$ 2.921,66, valor 23,2% inferior à remuneração de contratação dos homens.


Já a média dos salários dos homens no desligamento foi de R$ 6.017,45 no período, enquanto a remuneração das mulheres foi de R$ 4.4522,87. Isso significa que o salário médio das mulheres no desligamento é 26% menor que a remuneração dos homens.


“Não faz sentido que um dos setores mais lucrativos da economia brasileira continue mantendo essa política de corte dos empregos, principalmente entre os bancos privados que, a cada ano, acumulam recordes de lucratividade”
Gabriel Motta, diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará e funcionário do Bradesco