As pessoas em primeiro lugar

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Para aqueles que labutam no desejo em construir uma economia com uma face mais humana, voltada a atender as necessidades das camadas populares mais necessitadas, um primeiro ponto de ruptura, para que isso, de fato, possa se suceder deve acontecer urgentemente. É imprescindível que se rompa com a idéia dominante da estatística voltada unicamente na obtenção cega de elevadas taxas de crescimento econômico.


Em síntese, essa recomendação atesta que basta viver sobre uma economia em franca margem de crescimento que as oportunidades sociais logo serão estendidas a todos; e as necessidades básicas de cada um, por conseqüência, serão plenamente satisfeitas. Para tanto, a economia tradicional concentra todas as forças na busca desse crescimento, ignorando, por exemplo, as ocorrências dos passivos ambientais advindos de um crescimento agressivo em termos de recursos naturais explorados à exaustão.


Por outro lado, é importante ressaltar que, definitivamente, o ponto central de uma economia que seja mais humana e menos tecnicista, mais social e menos mecânica e rebarbativa, diferente, portanto, dessa economia tradicional que tem dominado o ambiente econômico, está em usar as técnicas e modelos econômicos conhecidos de maneira a atender satisfatoriamente as necessidades dos mais desfavorecidos; daqueles “excluídos da economia mundial”.


Nesse sentido, o eixo dessa economia solidária e humana consiste em colocar as pessoas em primeiro lugar. O que importa para nós que defendemos essa linha de raciocínio são as pessoas e suas necessidades elementares, e não o mercado e suas mercadorias. Aceitar essa premissa como verdade e, antes, fazer disso um ideal de luta, é se colocar ao lado daqueles que tanto necessitam de ajuda: os “excluídos da economia mundial” cujas cifras são cada vez mais assustadoras em escala mundial: 1 bilhão de estômagos vazios; 1,5 bilhão de pessoas sem acesso à água potável; 19 crianças com menos de 5 anos de idade mortas a cada cinco minutos de pneumonia; 500 mil mães morrendo a cada ano na hora do parto devido a assistência médica insuficiente; 5 milhões de crianças que a cada ano não completam 5 anos de vida.


Nesse pormenor, a economia (ciência e atividade produtiva) tem todas as condições de fazer avançar um programa de recuperação social, desde que, é claro, se rompa, abruptamente, com o pragmatismo dominante da tradicional economia que insiste em medir a realidade social por números e valores monetários, como se a “vida econômica” se resumisse a uma questão matemática. É urgente, pois, mudar-se o eixo da economia e, definitivamente, firmar políticas públicas que coloquem as pessoas em primeiro lugar; afinal, a economia, enquanto ciência, desde seu surgimento, no final do século XVIII, nasceu para dar uma resposta positiva à vida de todos nós.

Marcus Eduardo de Oliveira – Economista mestre pela USP e Especialista em Política Internacional