Assistência às vítimas de assaltos e sequestros é discutida com a Fenaban

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 Na terceira reunião da Mesa Temática de Segurança Bancária, ocorrida na quinta-feira, dia 17/6, em São Paulo, a Contraf-CUT cobrou dos bancos a ampliação das medidas reparatórias de assistência às vítimas de assaltos e sequestros. A rodada deu continuidade aos debates iniciados nas reuniões anteriores, nos dias 6 e 22/4.


Novo encontro ocorrerá no dia 20/7, que será o último antes das negociações da Campanha Nacional dos Bancários de 2010. Serão discutidas medidas indenizatórias e preventivas.


A novidade dessa reunião foi o início da discussão acerca dos sequestros, que seguem apavorando muitos bancários e suas famílias. “A Fenaban recusou várias propostas dos trabalhadores, mas admitiu a possibilidade de implantar algumas medidas, que poderão ser concretizadas nas negociações para a próxima convenção coletiva”, avaliou o secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr.

SEQUESTROS – “O que nós queremos é atendimento médico e psicológico para as vítimas de assaltos, principalmente para quem sofre como refém, além de tratamento e medicamentos, custeados pelos bancos. Essa assistência deve ser estendida aos familiares envolvidos, como forma de responsabilidade solidária, pois geralmente viram reféns dos bandidos”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra.


A exemplo das vítimas de assaltos, a Fenaban propôs atendimento médico ou psicológico para quem for sequestrado, conforme diagnóstico médico. As outras demandas foram recusadas, sob alegação de que os bancários já possuem planos de saúde. Muitos cobram a responsabilidade dos bancos, uma vez que o bancário é sequestrado pela sua condição de empregado e a sua família precisa ser amparada.


Os bancários reivindicaram ainda o fim da guarda das chaves do cofre pelos bancários, um procedimento arcaico do século passado, mas ainda praticado por vários bancos, incompatível com os avanços tecnológicos. Há casos até de vigilantes que levam chaves do banco para casa. Ainda foi proposta a transferência de bancários que foram sequestrados para outras unidades do banco, como forma de preservar a sua integridade física e psicológica. A Fenaban garantiu que o empregado terá o pedido de realocação avaliado pelos bancos e, se for possível, será atendido.


“Não queremos que esses trabalhadores continuem sendo alvo das quadrilhas e propomos a contratação de empresas especializadas em segurança, como alguns bancos já fazem, ou a implantação de controles eletrônicos para abrir e fechar agências e postos, a fim de eliminar esse risco e proteger a vida dos bancários”, justificou Ademir. A Fenaban, no entanto, não aceitou a proposta dos bancários.

ASSALTOS – Os dirigentes sindicais reiteraram a necessidade de atendimento médico e psicológico para vítimas de assaltos, consumados ou não. A Fenaban voltou a propor atendimento médico ou psicológico, conforme avaliação médica. Os bancários também propuseram segurança individual e acompanhamento do banco no reconhecimento e identificação de suspeitos na polícia, inclusive com advogado. A Fenaban concordou em indicar sempre um representante do banco, que poderá ser um advogado, dependendo da situação.


O pedido dos bancários de emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para quem presenciou o assalto, consumado ou não, foi novamente recusado. A Fenaban só aceitou o preenchimento da CAT após diagnóstico médico. Os bancos também rejeitaram a proposta dos bancários de fechamento da agência ou posto no dia da ocorrência, até que as condições de segurança sejam restabelecidas e após avaliação do quadro de saúde dos empregados. A Fenaban reiterou que defende uma avaliação técnica, com a participação de todas as áreas envolvidas do banco, para definir se o estabelecimento será fechado naquele dia ou se reabrirá e, nesse caso, em quais condições.


A proposta de comunicação dos ataques a bancos ao sindicato local, como já acontece com a Cipa, como forma de agilizar o apoio para as vítimas, foi outra vez recusada pelos bancos. Os dirigentes sindicais aproveitaram para pedir acesso às estatísticas de ataques a bancos da Fenaban, em âmbito nacional, por estados e municípios. Os banqueiros ficaram de avaliar.


Os dirigentes sindicais reiteraram ainda a necessidade de efetuar o Boletim de Ocorrência (BO) na polícia para o registro de todos os ataques a bancos. A Fenaban se comprometeu em divulgar imediatamente uma orientação aos bancos para fazer o BO de todos os casos de assaltos, tentativas e sequestros.


Ao final da reunião, a Fenaban reclamou da segurança pública. “É claro que falta segurança policial nas ruas, principalmente no Interior. Mas os bancos têm responsabilidade sim e precisam fazer a sua parte para reduzir a violência na sociedade, e proteger a vida de bancários e clientes”, concluiu o diretor do Sindicato, Bosco Mota, que acompanha as estatísticas de assaltos a banco no Ceará.

CEARÁ – Este ano no Estado já foram contabilizados nove assaltos a banco. O caso mais marcante aconteceu no início do ano, quando uma quadrilha sitiou a cidade de Pedra Branca (261 km de Fortaleza) e assaltou as duas agências bancárias da cidade.