Autoritarismo no Banco do Brasil

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Às vésperas do bicentenário de existência do Banco do Brasil, seus funcionários foram brindados com um autêntico presente de grego: terceirização, demissões, transferências e sobrecarga de trabalho. A marca do atraso na atual gestão surpreende e revolta. A mobilização e o enfrentamento de uma Reestruturação amoldada ao mercado foram deflagrados e só tendem a crescer.


Empresas modernas adotam Planos Estratégicos Participativos. A Direção do BB adotou o plano de exclusão de seus empregados que não foram consultados sobre as alterações profundas na empresa e em suas vidas. Muitos serão pressionados a sair e alguns serão “convidados” a mudar de domicílio – tudo no mais perfeito ambiente aonde a moeda corrente é o assédio moral.


O lucro anunciado de 6 milhões desfaz qualquer argumento de necessidade de redução de custos. Como se justifica o Banco prometer novos concursos e “empurrar” os antigos funcionários para fora? É a política de Gestão de Pessoas que, na verdade, é a verdadeira Política de Recursos Desumanos.


O Sindicato dos Bancários do Ceará envidará todos os esforços para derrotar este Plano de Reestruturação que agride os funcionários do BB e desserve aos interesses do Ceará, na medida em que desloca a Gerência de Logística para Recife. Igualmente inaceitável é a adoção de um processo de terceirização ilegal já derrotado na Caixa Econômica Federal que hoje promove concursos regularmente.


Não é este o Banco que serve ao Brasil. Afinal, o grande vitorioso político-ideológico não foi a proposta que criticou duramente as privatizações? A nomenclatura usada pela Diretoria do BB esconde um ajuste que parece preparar a futura privatização. Assim exigimos do Presidente Lula uma decisão que recoloque o BB como banco público na forma e conteúdo, que respeite a legislação e trate os trabalhadores com dignidade.