Bancárias do Ceará comemoram o Dia da Mulher com pauta em defesa da aposentadoria e da Democracia

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Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão? Meu Deus! Meu Deus! Se eu chorar não leve a mal. Pela luz do candeeiro. Liberte o cativeiro social…  Com esse grito se encerrou a comemoração ao Dia Internacional da Mulher pelas mulheres bancárias do Ceará, reunidas dia 3/3 para debater a defesa da aposentadoria e da Democracia. Também um “Fora Temer” uníssono ecoou na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará.


Uma das palestrantes, a Professora Doutora Sandra Helena de Souza, afirmou: “a guerra não acabou, é preciso estarmos preparadas. Na conjuntura presente não tem espaço para desespero: é lutar.  É necessário que reorganizemos a causa comum, o que nos unifica”, disse.


REFORMA DA PREVIDÊNCIA – A advogada Ana Virginia Porto, fez uma análise sobre a proposta de Reforma da Previdência e seus impactos na vida das mulheres. Elas serão as mais prejudicadas, porque o Estado tem a justificativa de igualar homens e mulheres. Antes de propor um mecanismo legal que vai fomentar uma suposta igualdade de gênero, o Estado deveria fomentar políticas públicas educacionais para que a educação seja emancipadora para as mulheres, se estabelecer a mesma responsabilidade na criação dos filhos, com licença compartilhada entre pai e mãe, com a transformação social que tem que começar em casa. Segundo ela, o IDEIA em parceria com a UNIMULHER revela que a mulher trabalha 7,5 horas a mais do que os homens, porque existe o trabalho doméstico não remunerado.


“A luta é importantíssima, mas com estratégia. A juventude é importante. Precisamos conversar com as novas gerações, unificarmos o campo da esquerda, unificar uma pauta, estabelecer o comum. Tem gente pensando que a história está começando agora. Precisamos estabelecer um diálogo, não podemos caminhar separados, temos de ir juntos, com todas as nossas diferenças e nossas dificuldades”
Professora Sandra Helena Souza


“A nossa inserção no mercado de trabalho é muito desigual, a remuneração da mulher ainda é 81% se comparado ao do homem. A maior parte das aposentadorias solicitadas ao INSS por mulheres é por idade, porque elas têm dificuldade de comprovar o recolhimento das contribuições, porque as mulheres estão nos postos mais precarizados da economia. Essa reforma, se acontecer, vai impactar a vida da mulher sobremaneira”
Ana Virgínia Porto, advogada trabalhista


“Nossa luta deve ser constante. Pelo fim da violência, contra essas reformas que só prejudicam os trabalhadores e, principalmente, em defesa da democracia, pois só num Estado verdadeiramente Democrático poderemos garantir nossos direitos”.
Rita Ferreira, diretora da Secretaria de Igualdade e Diversidade