Bancário e ex-presidente da Contraf-CUT é candidato a presidente da CUT Nacional

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O bancário Vagner Freitas, secretário de Administração e Finanças da CUT e ex-presidente da Contraf-CUT, por dois mandados, esteve em Fortaleza recentemente, visitou o Sindicato dos Bancários do Ceará e as entidades filiadas da CUT/CE, mostrando sua plataforma para presidência da CUT Nacional. Vagner é bancário do Bradesco em São Paulo e líder sindical com abrangência nacional. Sua trajetória à frente da Contraf-CUT foi recheada de lutas e conquistas para a categoria. Agora na Executiva da CUT, ele tem representação mais abrangente em defesa de toda a classe trabalhadora. Em visita a sede do SEEB/CE, o jornal Tribuna Bancária entrevistou o candidato a presidente da CUT, que promete trabalhar para que a Central possa ter nos próximos 30 anos a mesma trajetória exitosa que ela tem hoje.

Tribuna Bancaria -Qual é a sua participação hoje na CUT nacional?
Vagner Freitas – Eu sou secretário de administração e finanças da CUT nacional. A gente tem travado um mandato junto ao companheiro Artur Henrique (presidente nacional da CUT) no sentido de a gente tentar disponibilizar os recursos que a CUT nacional tem pra construção da luta da classe trabalhadora, obrigatoriamente, fazendo um debate que é importante interiorizar a CUT, que a CUT chegue a todos os trabalhadores de todos os municípios do Brasil. Aconteceu uma plenária estatutária, agora, que discute a organização, onde a nossa grande tarefa é revitalizar a CUT. A CUT já é muito viva, muito forte, mas queremos trazer a CUT o quanto mais perto possível do interior do Brasil. A CUT é muito forte e organizada em todos os estados, mas nós queremos que ela fique mais organizada ainda, fundamentalmente, pros trabalhadores de categorias que têm menor nível de organização. Então, nós precisamos alavancar esse nível de organização dessas categorias pra que a gente consiga melhorar a CUT como um todo. Então, a nossa ideia pra essa plenária foi utilizar os recursos que nós podemos utilizar, estatutários e não estatutários, no sentido de interiorizar a CUT. É a CUT mais perto dos Sindicatos que ela representa e dos trabalhadores que eles representam.

Você já pode dizer que é candidato à presidente da CUT, tem uma plataforma, uma estratégia para sua campanha?
Vagner Freitas
– Hoje eu já posso dizer que sou candidato. Até então não, mas eu tive o prazer de ir à Plenária da CUT do Estado de São Paulo com o presidente da CUT, meu companheiro Artur Henrique, o presidente da CUT São Paulo, meu companheiro Odilo Santos Lima, posso dizer que todos os delegados presentes a plenária de São Paulo me fizeram o lançamento da nossa pré-campanha, porque eu sou um representante de um agrupamento político dentro da CUT, que é a articulação sindical – que aliás eu tenho o prazer de ser coordenador – e nós, da articulação sindical, vamos ter um candidato à presidente da CUT nacional, que nós vamos levar à apreciação de toda a CUT, das demais tendências e de todos os trabalhadores. Então, o que a gente tem hoje são pré-candidaturas e não candidaturas. A minha pré-candidatura foi lançada, eu tive o prazer e a honra imensa desse lançamento ter sido feito pelo companheiro Artur Henrique, sendo consagrado como seu candidato, ele quer me ver como sucessor do mandato exitoso que ele tem feito – ele não, que toda a nossa gestão da CUT tem feito –, o que me dá a segurança de hoje me colocar como pré-candidato. Nós precisamos que a CUT seja nos próximos 30 anos tão grande ou maior do que ela é hoje.

Qual a conjuntura nacional hoje?
Vagner Freitas
– A conjuntura é totalmente diferente: nós surgimos para acabar com a ditadura, vindos do movimento social, de um processo de efervescência política no Brasil que era propicio para a criação de uma central sindical, pra um enfrentamento a uma ditadura carcomida pelo tempo e que a CUT ocupou um espaço importantíssimo por conta disso, e nós surgimos para romper com a estrutura sindical brasileira – é importante que a gente nunca esqueça as concepções da CUT de liberdade e autonomia sindical, sem atrelamento ao estado, a partido político, não aceitando financiamento de Campanha, financiamento para o movimento sindical, que não vem obrigatoriamente dos trabalhadores. E, agora, para os próximos 30 anos nós temos outra CUT, uma CUT que tem que continuar reafirmando tudo que a constituiu, os pilares de formação da CUT, mas ela tem que se preparar pra ser uma CUT não vinda mais do fim da ditadura militar ou do período neo-liberal, e sim de um processo de, depois de oito anos do governo do presidente Lula e inicio do governo da presidenta Dilma.
Como você vê a classe trabalhadora do Brasil hoje?
Vagner Freitas
– Nós temos um processo de expansão econômica que criou uma nova classe trabalhadora com a tirada de mais de 30 milhões de pessoas da linha de miséria e a construção de uma classe média – que o Fernando Henrique chama, mas que eu chamo de uma nova classe trabalhadora que tem outra concepção e outras necessidades do que tinha a classe trabalhadora de quando nós construímos a CUT. Então, nós temos de ter a capacidade de representar todos os trabalhadores organizados dos sindicatos tradicionais, que deram a sustentação inicial à construção da CUT e entender que é uma transformação bastante grande depois desses últimos oito anos, de uma nova classe trabalhadora que precisa de representação sindical e cultura sindical.

Você diz que nossa luta é contra um projeto do individualismo. Como fortalecer a organização sindical?
Vagner Freitas
– O nosso inimigo realmente agora não é mais a ditadura ou a intolerância contra a democracia, e sim o processo de individualismo causado e construído pelo patronato e que está sendo absorvido pelo próprio trabalhador. A ideia astuta e rasteira da burguesia de desconfigurar a ideia de “trabalhador” pra “colaborador” não é de graça, isso não é apenas uma questão de mudança de nome, e sim uma tentativa de mudança de entender que não há mais classe social no Brasil, que todos somos colaboradores de um mesmo projeto. E é o projeto do individualismo, onde os trabalhadores esquecem o conceito de solidariedade de classe, e tem que estar unificados em torno da defesa coletiva dos seus interesses para que a nossa solução seja coletiva. E, consequentemente dessa solução coletiva e postura coletiva, você consiga criar uma organização sindical forte, que dê a possibilidade de você ter a chance de criar novos e melhores militantes para a construção de um País diferente, com o movimento sindical sendo fornecedor pro Brasil de novas militâncias, de pensamento político capaz de enfrentar o capitalismo e o individualismo, que é a característica básica da cultura capitalista. Então, a gente precisa ter uma CUT diferente nesse processo que dialogue com isso, porque hoje os nossos inimigos, na minha avaliação, são mais bem preparados do que eles eram há um tempo atrás.

Nosso inimigo, ou seja do trabalhador, é a burguesia?
Vagner Freitas
– Hoje eles fazem um processo de disputa ideológica do trabalhador conosco. Inclusive, muitas vezes uma parcela dos nossos trabalhadores não se identifica com a mensagem que o movimento sindical passa e acaba se identificando com a cultura empresarial, que é essa cultura do individualismo. E nunca esquecer que o Brasil ainda está muito longe de ser uma democracia sindical. Essa ideia de que o Brasil tem liberdade sindical é uma das maiores atrocidades cometidas contra a classe trabalhadora brasileira. Aqui, há perseguição contra dirigentes sindicais, demissão, assassinato e morte de dirigentes sindicais. Aqui, o direito à associação ainda não é consagrado, porque o trabalhador se associa, é demitido e o empresariado faz carga para a não-associação.

É verdade que há atraso na organização sindical no País?
Vagner Freitas
– Ainda não há negociação no setor público, mesmo com o presidente Lula ter tomado a mesa administrativa e desmandar para o Congresso Nacional a ratificação da Convenção 151 da OIT, até agora o Parlamento não ratificou. E você continua a não ter negociação no setor público. É um absurdo. Ainda você tem no sindicalismo rural a realidade da morte, do assassinato e da intolerância. Então, você não tem o contrato nacional de trabalho no Brasil, poucas categorias têm contrato nacional de trabalho no Brasil, demonstrando um atraso de organização sindical bastante grande no Brasil. Ao mesmo tempo que nós temos que dialogar com esse atraso, nós temos que dialogar também com outras categorias que são altamente organizadas. E a nossa ideia é essa: potencializar o que nós temos de bom de maneira a trazer com que todas as categorias, da maneira solidária e socialista de organização que pensa a CUT, possa estar no mesmo patamar.

Qual sua proposta para fortalecer a estrutura sindical?
Vagner Freitas
– O nosso combate tem que ser pela mudança da estrutura sindical, que é o que garante que você tenha esse atraso sindical brasileiro. Essa estrutura sindical, calcada em cima do imposto sindical que financia o movimento sindical brasileiro com bastante ênfase. Inclusive isso deixando com que boa parte dos sindicatos brasileiros hoje ao invés de se preocuparem a associar trabalhadores e ai terem representatividade de base, acabam vivendo do imposto sindical e, então, não têm a menor vontade de associar novos trabalhadores, não os comprometendo com o sindicato. Então, os nossos desafios são esses: é enfatizar tudo que a CUT tem de extraordinariamente bom, que é a grande maioria da CUT, e fazer os ajustes necessários para que a CUT possa ter nos próximos 30 anos a mesma trajetória exitosa que ela tem hoje.