Bancários cearenses iniciam jornada nacional de luta pelo fim das demissões

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Em Fortaleza, o Sindicato dos Bancários do Ceará deu início na última quinta-feira, dia 15/5, à Jornada Nacional de Luta contra as demissões no Santander. Os bancários paralisaram a agência da Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, durante 24 horas, para protestar contra a postura do banco.


No ato, os diretores denunciaram as 13 demissões que aconteceram no Estado somente nos quatro primeiros meses do ano, o que tem acarretado um número insuficiente de funcionários para atender à grande demanda de atendimento de clientes e usuários do banco e, consequentemente, o aumento do índice de adoecimento por conta da sobrecarga de trabalho.


Na ocasião foi realizada também a coleta de assinaturas para o manifesto Por Mais Bancários no Santander, documento que será entregue ao presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza.


Gestão equivocada – Desde que assumiu a presidência da filial brasileira do Santander, em abril de 2013, o banqueiro Jesús Zabalza vem promovendo um maciço programa de corte de custos, a exemplo do que fez nos outros países latino-americanos onde presidiu a instituição espanhola. Apenas nos primeiros três meses deste ano, o banco eliminou 970 vagas em todo o País. Nos últimos 12 meses a devastação foi ainda mais intensa, com o fim de 4.833 empregos.


O número de funcionários, que era 53.484 em março de 2013, chegou a março deste ano em 48.651. Além disso, a instituição fechou 150 agências em 12 meses, sendo 58 apenas no primeiro trimestre deste ano. Tudo isso no mesmo período em que o número de clientes experimentou um salto de 10%.


Um funcionário do call center do banco ilustra a situação: “estamos com acúmulo de funções. Temos de atender conta corrente e efetuar as transações. Somos obrigados a atender cartões de crédito sem termos sido treinados para isso. Existem outros setores que atendem esses serviços, mas estão fechando e passando tudo para o setor de conta corrente”, relata.


Os efeitos colaterais dessa atual gestão não tardaram a aparecer. O Santander foi a instituição que liderou pelo maior número de meses o ranking de reclamações de clientes no Banco Central em 2013. O banco ficou em primeiro lugar por oito meses, dos quais seis consecutivos. E nos três primeiros meses de 2014 continua liderando.


Começou com a eliminação de milhares de postos de trabalho, agora as reduções de custos chegam ao absurdo de atingir até mesmo as questões mais básicas como papel higiênico, bebedouros, coleta de lixo. Há ainda sinalização de cortes no café e pãozinho.


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“A jornada nacional de luta compreende várias manifestações que estão sendo realizadas no País inteiro no sentido de forçar o Santander a abrir um canal de negociação para discutir a política de demissões, que está trazendo muitos problemas para os bancários que permanecem no banco”

Eugênio Silva, secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários e funcionário do Santander