Bancários do Brasil se reúnem com o presidente mundial do Santander

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Os bancários do Brasil tiveram no dia 29/6, a primeira reunião com o presidente mundial do Santander, Emílio Botín, em São Paulo. O encontro contou com a participação da Contraf-CUT, Fetec-SP, Feeb-SP/MS e Afubesp. Os representantes dos trabalhadores apresentaram queixas e reivindicações sobre a política de metas nas agências, terceirizações nos centros administrativos e cobraram soluções para os passivos do pessoal do antigo Banespa.


“Ressaltamos que o Brasil responde pela maior parte dos lucros do grupo e merece ser tratado com respeito”, disse o presidente da Afubesp, Paulo Salvador, ressaltando o bom desempenho econômico do país e as boas perspectivas para o futuro. “Cobramos que o Santander utilize no Brasil as boas práticas de gestão, se realmente quer ser o maior banco e o melhor para trabalhar, como aponta sua propaganda“, afirmou o dirigente.

POLÍTICA DE METAS – Os dirigentes sindicais reconheceram que houve melhorias nas relações com o Santander e ressaltaram que as principais queixas dos bancários referem-se à política de metas. “Pesquisas recentes com os trabalhadores apontam a pressão por metas como o principal problema nas agências, associada à enorme carência de funcionários, que gera constantes conflitos e problemas à saúde.


O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, enfatizou que os trabalhadores do Brasil merecem mais respeito. “Aqui, quem não consegue bater as metas acaba muitas vezes sendo demitido, o que não acontece na Espanha”, comparou. Foi apontado pelos representantes das entidades que o caminho para a solução é a adoção de metas coletivas e qualitativas, nas quais o funcionário pratica um atendimento humano e fideliza os clientes.

TERCEIRIZAÇÕES – Os sindicalistas também abordaram a política de terceirizações, que vêm crescendo no banco. O Sindicato apontou que os desencontros e a falta de informações sobre as terceirizações para empresas do próprio grupo – Isban, Geoban e Global Facilities – geram angústia e apreensão. “Fizemos um desafio aproveitando o embalo da Copa do Mundo, que ‘se o Santander vai bem no Brasil, por que mudar?’ e que ’em time que está ganhando não se mexe’ ”, relatou o presidente da Afubesp.


A resposta do executivo responsável pelo Brasil no Santander, o espanhol Marcial Portela, que estava ao lado de Botín, seguiu a que o movimento sindical já havia recebido da direção brasileira: que se trata de uma política do grupo a criação das empresas e que no Brasil são apenas “estudos” e que não há data ou decisão a respeito.

BANESPA – O passivo em relação ao pessoal do antigo Banespa também ocupou boa parte do espaço de reivindicações dos dirigentes sindicais. Foram listados problemas com reajustes do pessoal de antes de 1975, déficit do plano do pessoal pós-75, serviço passado do plano II do Banesprev, quitação da ação das gratificações semestrais e dinamização da Cabesp. Mostrando desconhecer a situação dos “jubilados” (aposentados) do Banespa, Botín disse que iria discutir com seus pares a situação atual.

ACORDO MARCO GLOBAL – O presidente do Santander ouviu também as reivindicações dos brasileiros para a assinatura de um Acordo Marco Global, por meio do qual o banco adotaria premissas comuns para os trabalhadores dos diversos países onde atua. O executivo foi relutante e, embora tenha afirmado que poderia conversar mais a respeito, afirmou que tem por ora uma política de tratar cada país conforme suas características.


“Pedimos que ele conheça melhor a proposta antes de fechar questão”, disse Paulo Salvador. O Sindicato denunciou também as demissões e a perseguição aos trabalhadores bancários norte-americanos, agora sob a presidência de Gabriel Jaramillo. Botín propôs a realização de uma nova reunião para um prazo de dois meses, para repassar os assuntos tratados.