Bancários do Ceará protestam contra interdito do Bradesco com cortejo fúnebre

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O Sindicato dos Bancários do Ceará realizou, na quarta-feira 5/10 e quinta-feira 6/10, um cortejo fúnebre em Fortaleza para protestar contra o Interdito Proibitório solicitado pelo Bradesco na Justiça do Trabalho com o objetivo de frear o movimento grevista. No primeiro dia, o protesto passou por quatro agências do Bradesco no Centro e no segundo dia, em duas agências na Aldeota. A manifestação entrou nas unidades e teve direito à marcha fúnebre, viúva, carpideiras, padre e velório simbólico de um cliente morto pela exploração do banco, com tarifas abusivas.


O Bradesco solicitou a intervenção da Justiça do Trabalho, por meio de um Interdito Proibitório, para impedir que o Sindicato feche as portas das agências e fortaleça o movimento grevista – já que os próprios funcionários são coibidos moralmente de aderir à greve. “O interdito não tem nada a ver com a lei de greve, mas o banco conseguiu convencer a Justiça, que concedeu o interdito em dois dias. E, então, nos perguntamos: “que postura é essa da Justiça brasileira?”, questionou Robério Ximenes, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco.


O Sindicato acredita que com essa iniciativa, o Bradesco usa a Justiça como escudo para resguardar sua posse e não lançar propostas decentes para a categoria. “Essa mesma Justiça do Trabalho é inoperante para obrigar o Bradesco a implantar portas giratórias e a cumprir a lei das filas”, denunciou Marcos Saraiva, diretor do Sindicato, em meio à encenação do velório de um cliente explorado pelas altas tarifas e altos juros cobrados pelo banco.


Na quarta-feira, o protesto foi acompanhado pela apresentação artística de dois emboladores cantando o cordel “A Peleja do Monstro Presença para Derrotar a Deusa Greve”, que conta toda a história de intransigência do Bradesco. Já na quinta-feira, a dupla Colorau & Neorlandio apresentou um espetáculo humorístico para endossar o clima descontraído da manifestação.


A população foi esclarecida sobre o movimento grevista, que mesmo discordando do interdito, cumpre as ordens da Justiça. Mas não irá desistir de apontar a atitude exploradora do Bradesco, que, assim como outros bancos, silencia na mesa de negociação. “O banco tenta nos intimidar. Mas não adianta o silêncio do banco nem a força da Justiça. Não vamos nos calar”, afirmou Gabriel Motta, diretor do Sindicato e funcionário do banco.


Na quinta-feira, durante o protesto na Aldeota, o cortejo parou em frente ao prédio da Superintendência da Caixa, onde o Sindicato fechou a agência, que até então funcionava normalmente. Houve um princípio de tumulto com um cliente exigindo atendimento, mas que logo cessou. Os diretores do Sindicato conversaram com o gerente-geral da agência, que logo concordou em encerrar o atendimento.