Bancários do Nordeste definem prioridades para Campanha Nacional 2014

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Cerca de 200 bancários se reuniram entre os dias 16, 17 e 18/5 quando foi realizada a III Conferência Regional da Fetrafi-NE, em João Pessoa (PB). O evento é uma das etapas preparatórias da Campanha Nacional 2014. Em cada etapa regional, são definidas as reivindicações e estratégias que serão levadas à Conferência Nacional, que acontece no final de julho, em São Paulo, quando será fechada a pauta e a estratégia de mobilização.


Na discussão sobre remuneração, inseriu-se o debate sobre redistribuição da renda do grupo econômico que mais lucra no País: os banqueiros. Os bancários nordestinos levam para a Conferência Nacional a reivindicação de um índice de 7,5% de aumento real. Além desse ponto, os bancários do Nordeste apontam a importância da valorização do piso salarial e implantação de planos de cargos e salários em todos os bancos.


Mais que salário – A discussão sobre remuneração é, no entanto, apenas uma das pontas que se revelam da organização do trabalho. As reestruturações e mudanças que afetam a categoria (como introdução de tecnologias e segmentação de agências); a discussão sobre emprego (terceirização, rotatividade, correspondentes bancários); o debate sobre condições de trabalho (metas abusivas, assédio moral, adoecimento etc.), todos estes pontos foram analisados como partes de um mesmo sistema. Para os participantes, ficou a certeza de que a regulamentação do sistema financeiro e a redefinição dos papéis dos bancos públicos são essenciais para que se mude a forma de organização do trabalho nos bancos. Ao mesmo tempo, para que se garanta avanços nestes pontos, é preciso haver, entre outras coisas, reforma política e democratização dos meios de comunicação.


Além do corporativismo – Depois de dois dias de palestras e debates, os participantes saíram do encontro com a certeza de que é preciso extrapolar a discussão corporativa. Esta importância de se pensar as questões de forma integrada perpassou os vários debates da Conferência. Foi o caso da palestra sobre paridade de Wilma Martins, vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da UFPB. Mais do que falar sobre a discussão de gênero no movimento sindical, a pesquisadora tratou da paridade como democratização das relações humanas, inserida em uma discussão de classe e de projeto político.


Um momento emocionante foi vivido pelos participantes na abertura do evento, dia 16/5, quando se lembrou os 50 anos do golpe militar. O ex-bancário Derly Pereira e José Calistrato, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) falaram sobre a experiência de terem sido presos políticos e torturados durante o regime totalitário, instaurado em 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985.


“Queremos ressaltar a necessidade de se garantir a unidade dos bancários. Além disso, é fundamental que seja definida uma pauta ousada para uma campanha salarial vitoriosa. Queremos destacar também que o momento de greve é de luta. Bancário tem que estar nas ruas e não apenas com a agência fechada”

Presidente da Fetrafi/NE e do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra