Bancários paralisam agência do Santander em Fortaleza

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Os bancários do Ceará realizaram no dia 18/12, um protesto como parte do dia nacional de luta contra as demissões em massa no Santander. Os trabalhadores paralisaram durante todo o dia a agência da Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza. A luta é contra a falta de respeito do banco com os brasileiros demitidos às vésperas do Natal, mesmo o Brasil sendo responsável por 26% do lucro mundial do banco espanhol, de janeiro a setembro deste ano.


Em todo o País, o banco demitiu 1.280 empregados somente nos primeiros dias de dezembro. No Ceará, foram 14 dispensas em menos de um mês; 11 entre os dias 3 e 5/12. De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE) e funcionário do Santander, Eugênio Silva, as demissões possuem perfil: bancários oriundos de outros bancos, bancários com mais de 10 ou 20 anos de casa (ou seja, já próximos da aposentadoria), portadores de doenças ocupacionais ou de necessidades especiais.


“Essas demissões são injustas e discriminatórias. Nenhuma empresa pode demitir uma leva tão grande de trabalhadores sem ter uma justificativa plausível. Só há um motivo para a empresa demitir tantos trabalhadores: prejuízo. Mas não é o caso. Esse banco não teve prejuízo. Até setembro deste ano, ele lucrou quase R$ 5 bilhões, somente no Brasil. Se não fossem as ações dos sindicatos dos bancários do País inteiro seriam mais demissões”, afirma Eugênio.


De acordo com levantamento feito pela Contraf/CUT, que recebeu números de vários sindicatos por todo o País, vários desligados são gerentes e, portanto, com maiores salários, mostrando que o objetivo das demissões também é continuar praticando rotatividade.  “Esse é o presente que o Santander está oferecendo ao seu quadro de funcionários. Além das demissões, instala-se um processo de insegurança e instabilidade emocional dentro das agências. O banco demitiu esses, mas pode demitir muito mais. Em pleno dezembro, quando se evoca alegria, paz e solidariedade”, destaca Alex Citó também diretor do Sindicato.


Durante a manifestação, foi entregue aos clientes e usuários do Santander uma carta aberta que denuncia a prática desumana da direção do banco e pede apoio à população.  “É só no Brasil que o Santander demite. Nem na Espanha, que está numa crise profunda, há demissões. Por que o banco espanhol usa o Brasil para tirar sua maior fatia de lucros e deixa aqui milhares de mães e pais de família desempregados? Por isso os sindicatos de bancários de todo o País estão protestando. Exigimos o fim das demissões e mais contratações”, diz um trecho da carta.