Bancários paralisam agências com horário estendido em Dia Nacional de Luta

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Os bancários do Ceará paralisaram durante todo o dia 24/4 as três agências do Itaú em Fortaleza – Centro, Aldeota e Bezerra de Menezes – que trabalham com a adoção do famigerado horário estendido. O objetivo foi protestar contra a extensão do horário, implantada de forma unilateral e sem o aval do movimento sindical.


Com o horário estendido, as agências podem abrir em até quatro horários diferentes: 8h às 16h, 9h às 16h, 11h às 18h e 11h às 19h. Nos shoppings, as agências que funcionam nesse sistema abrem de 12h às 20h. Em todo o País são 450 agências que esticaram o horário de atendimento ao público, mas o objetivo do banco é chegar ao total de 1.500 agências funcionando com horário estendido.


“A medida trouxe sobrecarga de serviços, causando consequências diretas na precarização do emprego, jornada, organização de trabalho e, principalmente, na qualidade de vida dos funcionários. Além disso, ainda têm a questão da segurança, pois pelo menos aqui em Fortaleza, essas agências que funcionam com horário estendido estão localizadas em locais que, após às 17h, se tornam desertos, expondo a vida de bancários e clientes”, avalia o representante da Fetrafi-NE na COE Itaú e diretor do Sindicato, Ribamar Pacheco.


Desde a implantação desse sistema, o movimento sindical vem tentando abrir um canal de diálogo com o Itaú para debater a questão. “Nós não somos contra a extensão do horário, mas desde que esta gere mais empregos, com a criação de dois turnos de trabalho. Entretanto, até agora o banco não se mostrou disposto a negociar, pois isso significaria mais despesas e o Itaú só pensa em aumentar seus lucros. Uma prova disso é a demissão de cerca de sete mil bancários em todo o País no ano passado, mesmo tendo lucrado mais de R$ 14 bilhões”, informa o diretor do Sindicato, Humberto Filho.


“Há cerca de cinco anos, nós estamos tentando negociar com os banqueiros a ampliação do horário de atendimento de 9h às 17h, com mais contratações, dois turnos de trabalho, mas na contramão dessa proposta, o Itaú criou esse sistema, sem mais contratações, sobrecarregando os companheiros e elastecendo a jornada. Vários bancários tiveram que trancar cursos, faculdades, suas vidas pessoais colocadas em segundo plano, tudo para poder garantir o emprego. Não podemos admitir essa postura”, analisa o diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, Alex Citó.


Paródia – “O cara que está todo o tempo querendo vender, porque já não sabe mais se o emprego vai ter – esse cara sou eu”. A paródia criada por um talentoso bancário do Itaú tendo como base a música de Roberto Carlos – Esse Cara Sou Eu – caiu como uma luva para a realidade do funcionalismo do banco atualmente.


“Hoje em dia, o bancário do Itaú é obrigado a cumprir metas absurdas, aceitar horário estendido, sair tarde da agência expondo sua própria vida, tudo isso temendo perder seu emprego. São muitos os problemas que os funcionários do Itaú estão enfrentando. O banco precisa respeitar seus trabalhadores e tomar providências imediatas para melhorar as condições de trabalho do seu funcionalismo”, finaliza a diretora do Sindicato, Ieda Marques.