Bancários querem aumento real de 5%, PLR e piso maiores e emprego decente

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Os 695 delegados e observadores de todo o País aprovaram na plenária final da 13ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada no domingo, 31/7, em São Paulo, a pauta de reivindicações da Campanha de 2011, que inclui 5% de aumento real, emprego decente, PLR equivalente a três salários mais R$ 4.500 fixos, piso da categoria igual ao salário mínimo do Dieese (R$ 2.293,31 em maio) e combate às metas abusivas e ao assédio moral. A pauta de reivindicações dos bancários deve ser entregue à Fenaban no próximo dia 12/8.


Também definiram apoio total ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 214/2011, do deputado federal Ricardo Berzoini (PT/SP), que revoga as resoluções do Banco Central que ampliaram o escopo de atuação dos correspondentes bancários, bem como reivindicar do governo a convocação de uma Conferência Nacional sobre o Sistema Financeiro. Decidiram ainda intensificar a campanha pela inclusão bancária, que assegure prestação de todos os serviços financeiros a toda a população, realizada em agências e PABs por profissionais bancários de forma a garantir atendimento de qualidade, respeitando as normas de segurança e protegendo o sigilo bancário.


A 13ª Conferência, que começou na sexta-feira, 29/7, foi o ponto culminante de um processo de discussão democrática com a categoria em todo o País, que passou por assembleias, consultas dos sindicatos junto às suas bases, pesquisa nacional, encontros estaduais e conferências regionais.

‘QUEREMOS EMPREGO E REMUNERAÇÃO DECENTE’ –“Estamos iniciando uma grande campanha nacional pelo emprego decente, contra a violência do assédio moral e contra a pressão pelo cumprimento de metas abusivas”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. “Exigimos ainda aumento do número de bancários nas agências e remuneração decente. Altos executivos ganham até 400 vezes mais do que o salário do bancário. Precisamos acabar com essa indecência”.


Carlos Cordeiro também considera importante a carta, aprovada por unanimidade pela Conferência, que será enviada à presidenta Dilma Rousseff, pedindo a ratificação da Convenção 158 da OIT, que dificulta a demissão injustificada. “Queremos emprego com estabilidade, com segurança. Vamos denunciar a rotatividade promovida pelos bancos, como forma de aumentar a rentabilidade. Desde já estamos conclamando todos os bancários do País a fazer uma grande mobilização nacional para que tenhamos a melhor Campanha Nacional que já fizemos”, acrescenta o presidente da Contraf-CUT.


Em relação ao sistema financeiro, Carlos Cordeiro avalia como fundamental a decisão aprovada pela 13ª Conferência Nacional de fazer “uma grande mobilização, levando o debate para toda a sociedade sobre o papel dos bancos no desenvolvimento econômico do País. Precisamos de um outro sistema financeiro”.

FORTALECIMENTO DA UNIDADE – “Como em anos anteriores, o formato de debates realizados pelas federações e sindicatos por todo o Brasil, que envolveram milhares de trabalhadores bancários, fez com que a conferência fosse coroada de êxito, uma vez que refletiu um pensamento que foi sendo cristalizado através de um debate democrático e amplo”, avalia Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT. “O resultado da conferência é o fortalecimento da unidade e a reafirmação do desejo de vitórias e conquistas dos bancários de todo o Brasil”.


Para Marcel, além das reivindicações sobre remuneração, emprego e saúde, um item fundamental da pauta aprovada é o apoio ao PDL 214/2011, que revoga as recentes resoluções do Banco Central sobre o funcionamento dos correspondentes bancários.


Os delegados participaram de diversos painéis temáticos que enriqueceram a discussão da categoria. Os debates sobre emprego decente foram bastante intensos durante toda a Conferência.


“A Conferência Nacional coroa um processo rico de debate iniciado pelos sindicatos e federações há quase dois meses. A categoria leu, discutiu e construiu conjuntamente um documento rico de disposições organizativas e reivindicatórias que é referência inclusive para outras categorias”, analisa Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará e coordenador do grupo que discutiu Remuneração e Emprego no sábado, 30/7, durante os trabalhos da 13ª Conferência Nacional.

CONFIRA OS PRINCIPAIS ITENS DA PAUTA DE REIVINDICAÇÃO

REAJUSTE SALARIAL

12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)

PLR

três salários mais R$ 4.500

Piso

Salário mínimo do Dieese (R$ 2.297,51)

Vales Alimentação e Refeição

Salário Mínimo Nacional (R$ 545)

PCCS
Para todos os bancários

Auxílio-educação

Pagamento para graduação e pós

Emprego

Ampliação das contratações, inclusão bancária, combate às terceirizações e à rotatividade por meio da qual os bancos aumentam seus ganhos com a redução dos salários, além da aprovação da convenção 158 da OIT

Outras

Cumprimento da jornada de 6 horas;

Fim das metas abusivas;

Fim do assédio moral e da violência organizacional;

Mais segurança nas agências e departamento;

Previdência complementar para todos os trabalhadores;

Contratação da remuneração total;

Igualdade de oportunidades