Bancários querem discutir programa de retorno ao trabalho

9


Bancários do Bradesco, representados pela Contraf-CUT e pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, estiveram reunidos em São Paulo, onde foram discutidas várias reivindicações dos trabalhadores em negociação com o banco. Estiveram em pauta questões como o programa de “reabilitação” profissional, auxílio-educação, acordo de ponto-eletrônico. O Dieese fez também uma análise do balanço de 2014.


A COE retomou o tema do retorno ao trabalho tomando por base a proposta elaborada e apresentada pelo Bradesco no ano passado. O programa do banco, além de conter inúmeros problemas em relação às legislações vigentes, prioriza a adaptação do trabalhador ao local de trabalho e não prevê a mudança do ambiente estrutural e das condições de trabalho para receber o bancário que ficou afastado.


De acordo com os sindicalistas, o programa de “reabilitação” tem muitos problemas: não está em sintonia com a Norma Internacional SA 8000, que inclui todos os requisitos para uma correta avaliação das condições do local de trabalho; fere a legislação nacional e internacional, especialmente quando desconsidera as Convenções da OIT das quais o Brasil é signatário; descumpre a Convenção Coletiva por interferir no afastamento dos trabalhadores e não garantir a participação do sindicato e dos próprios trabalhadores no processo; reforça a “gestão dos atestados médicos” ao querer que as entidades sindicais assinem Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) permitindo ao médico do trabalho tal atribuição; não contempla nenhum mecanismo de controle do programa por parte dos sindicatos, CIPAs e dos próprios “reabilitandos”; reforça a questão da “readaptação” dos trabalhadores às condições de trabalho.


A Contraf-CUT está solicitando uma reunião com o Bradesco para o começo de março para tratar do assunto. A expectativa dos bancários é que o banco mostre disposição para corrigir essas distorções e possa junto com o movimento sindical construir um programa que dialogue com a realidade enfrentada por esses trabalhadores.


“Nós entendemos que é preciso uma maior participação no programa de reabilitação e, principalmente, garantir o cumprimento das normas nacionais e internacionais sobre o retorno ao trabalho após afastamento”
Gabriel Motta, participou da reunião como representante da COE e da Fetrafi/NE