Banco Central criará divisão para monitorar conduta do sistema financeiro

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O Banco Central (BC) estrutura um novo departamento de “supervisão de conduta” do sistema financeiro nacional, segundo informou na segunda-feira (22/10) o diretor de fiscalização, Anthero Meirelles. O nome da nova área ainda não está definido, mas a expectativa é que esteja em pleno funcionamento em 2013. Conforme Meirelles, a futura estrutura vai ampliar o escopo das operações do departamento voltado para o controle de ilícitos.


A mudança, explicou, é que o BC não vai mais examinar apenas itens específicos dos balanços das instituições financeiras a partir de reclamações recebidas, mas passará também a avaliar se esses dados estão aderentes às normas gerais de regulação. De acordo com o diretor, o BC passará ainda a examinar questões que extrapolam o risco financeiro e que abarquem o comportamento das instituições. A ideia é ter uma visão um pouco mais geral, incluindo até riscos de imagem e de reputação.


Meirelles avaliou que o BC tem hoje melhores condições de detectar problemas no sistema financeiro, a exemplo do caso envolvendo o Cruzeiro do Sul. Segundo ele, o BC aprimorou, no início do ano, o sistema de detecção de fraudes que permitiu a identificação de ativos inexistentes nos balanços.


O diretor reiterou ainda que o BC está mais preparado para monitorar itens como o nível de endividamento da população desde que ampliou, em abril, o leque de operações registradas no chamado Sistema de Informações de Crédito. Desde então, todos os empréstimos concedidos pelas instituições financeiras superiores a R$ 1 mil são observados – o monitoramento se dava, antes para volumes a partir de R$ 5 mil.


As informações incluem desde o valor da operação, taxas de juros, histórico de pagamentos, renda ou faturamento e localização geográfica do tomador. De acordo com ele, a mudança quase quadruplicou o volume de operações acompanhadas em detalhes pelo BC e, com isso, o sistema passou a abranger 99% dos empréstimos concedidos no País.


Mudanças no ambiente regulatório e a deterioração do ambiente econômico levaram o Banco Central (BC) a rever, porém, a proposta de antecipar a adoção das regras de Basileia 3 no Brasil. A afirmação foi feita por Caio Fonseca Ferreira, assessor sênior do Departamento de Normas do BC, durante debate em evento sobre gestão de riscos, em São Paulo. “O grande benefício da antecipação era que você diluísse esse impacto ao longo do tempo”, afirmou. A adoção brasileira continua adiantada, de acordo com Ferreira, no que diz respeito à exigência de capital. O índice de Basileia já é de 11% para as instituições financeiras do País. “Não faz sentido reduzir a exigência de capital. Continuamos aí até eles nos alcançarem para, aí sim, seguirmos juntos”, afirmou.