Bancos Abusam e os Bancários estão na Luta

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A greve nacional dos bancários iniciou na quinta feira em resposta ao fim das negociações e da proposta rebaixada dos banqueiros e do governo. A adesão ao movimento está em crescimento. A greve é de consciência dos trabalhadores para defender seus direitos e avançar em conquistas. E logo no início do movimento, a real postura dos bancos se demonstra nas ruas. Perseguições, ameaças, repressões ao livre exercício constitucional de greve, para reagir a falta de responsabilidade dos bancos em negociar nossas reivindicações.


A recepção da Caixa à Comissão de Esclarecimento de Greve do Sindicato dos Bancários do Ceará no Edifício-sede da Caixa foi com dezenas de seguranças privados contratados para impedir o acesso dos manifestantes de entrar ou de sair do prédio.


Apesar do Comando de Crise, órgão criado pela CEF para ser responsável por soluções em períodos de conflito, ter inicialmente mantido postura intransigente, antidemocrática e anti-sindical, o movimento insurgiu em constantes levantes para garantir o acesso de bancários. O objetivo do acesso era apenas para conversar com os colegas no ambiente de trabalho e, caso convencidos, aderir à greve. Porém, o contingente repressor dos seguranças, tinha como tarefa, impedir os manifestantes de entrar, pois haveria possibilidade de aumentar a adesão ao movimento; e impedir aqueles bancários dentro do prédio de sair, caracterizando cárcere privado.


A CEF apostou em um relaxamento dos bancários e não dimensionou corretamente a proporção do conflito criado. Sem diálogo, contamos com a solidariedade do movimento sindical, que reforçou nossas posições para garantir o direito de greve e permitir a adesão de quem estava dentro do prédio. Vieram os trabalhadores e dirigentes sindicais da CUT, CTB e Conlutas, Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios, dos Vigilantes, dos Metalúrgicos, dos Têxteis e da Construção Civil.

Denunciamos o caso tempestivamente através da imprensa, que deu grande cobertura ao fato. Contamos com parlamentares que nos auxiliaram na perspectiva de alcançar diálogo com a empresa, como os deputados estaduais Nelson Martins e Artur Bruno, que estava em sessão do plenário da assembleia e prontamente em seu discurso, denunciou o abuso. Por fim, o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro e o presidente da Fenae, Pedro Eugênio, foram também fundamentais, para proteger a vida dos bancários e através da nossa luta, levar a Caixa a recuar.


Foram horas de desespero para muitos, mas de sobriedade da direção do movimento, que permaneceu firme, para fazer valer o direito de greve. A tentativa da CEF de desmoralizar o movimento falhou, bem como sua intransigência e falta de diálogo na negociação. Permaneceremos vigilantes para fortalecer o movimento que é nacional e quer respeito porque, os “Bancos Abusam e os Bancários estão na Luta” por melhores condições de emprego, segurança, remuneração, saúde e igualdade de oportunidades.

Carlos Eduardo Bezerra Marques

Presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará