Bancos continuam demitindo e mantém a rotatividade

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O sistema financeiro fechou 1.849 postos de trabalho no primeiro trimestre de 2014. A redução de empregos nos bancos anda na contramão da economia brasileira, que gerou 344.984 novos postos de trabalho nos três primeiros meses do ano. Os dados constam na Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


Conforme o estudo, além do corte de empregos, a rotatividade permaneceu muito alta no primeiro trimestre do ano. Os bancos brasileiros contrataram 8.266 funcionários e desligaram 10.115.


Rotatividade diminui salários dos bancários – A pesquisa mostra também que o salário médio dos admitidos pelos bancos no primeiro trimestre do ano foi de R$ 3.129,17 contra o salário médio de R$ 5.372,02 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram no sistema financeiro recebem valor médio equivalente a 58,2% da remuneração dos que saíram.


A rotatividade no sistema financeiro contrasta fortemente com a do conjunto da economia brasileira. A remuneração média dos trabalhadores admitidos no País correspondeu a 93,8% da recebida pelos desligados. Uma grande diferença! Os bancos privados seguem praticando rotatividade, um instrumento nocivo usado para reduzir a massa salarial e turbinar ainda mais os lucros. Nos últimos dez anos, os bancários conquistaram aumentos reais consecutivos, mas esses ganhos foram corroídos pela rotatividade, reduzindo o crescimento da renda da categoria.


Mesmo com lucros bilionários, os bancos brasileiros, continuaram eliminando postos de trabalho. Em 2013, os seis maiores bancos – BB, Itaú, Bradesco, Caixa, Santander e HSBC –lucraram R$ 56,7 bilhões. Andam na contramão da economia do País e não contribuem para o crescimento com distribuição de renda.


Maior concentração de renda nos bancos – A pesquisa fortalece ainda a luta dos bancários por distribuição de renda. Enquanto no Brasil, os 10% mais ricos no País, segundo estudo do Dieese com base no Censo de 2010, têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres, no sistema financeiro a concentração de renda é ainda maior.


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“Os números da pesquisa reforçam a certeza dos bancários de ampliar a luta contra as demissões e pelo fim da rotatividade, por mais contratações e contra o PL 4330 da terceirização, como forma de proteger e ampliar o emprego da categoria e da classe trabalhadora”.

Marcos Saraiva, diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará