Bancos estudam loja só para pagamentos

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Não bastassem os correspondentes bancários que precarizam o trabalho e segmentam os clientes, os bancos inventaram uma nova forma de atendimento que promete discriminar ainda mais os clientes de baixa renda, ampliar os seus lucros e, de quebra, aumentar a exploração dos empregados.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a Febraban quer criar uma rede de lojas para o recebimento de contas, pagas em dinheiro. O projeto, inspirado nos modelos do Chile e da Argentina, seria uma alternativa para agilizar o atendimento bancário. Mas um olhar mais aprofundado mostra o que está por trás da proposta.

Segundo estudos da própria Febraban, 67% dos que enfrentam filas nos bancos têm renda mensal inferior a R$ 1.000. Em 78% dos casos, essas pessoas pagam em dinheiro. Quase a metade dos usuários enfrenta mais de 15 minutos de filas para serem atendidos.

“Os banqueiros querem expulsar de vez os mais pobres das agências. Eles não dão tanto lucro para os bancos. Segundo a pesquisa, 79% desses clientes usam caixas de bancos nos quais não têm conta. Diminuir as filas é apenas uma desculpa, os banqueiros não querem mesmo é ver os menos favorecidos em suas agências”, destaca William Mendes, secretário de Imprensa da Contraf-CUT.

Mais exploração – Além da criação da rede de lojas para atender aos mais pobres, o estudo da Febraban aponta outra alternativa que, além de explorar ainda mais os bancários, é ilegal: o banco de horas. Segundo a proposta da Federação patronal, os funcionários das agências teriam uma jornada estendida nos dez primeiros dias do mês, pico da demanda, e nos últimos dez dias trabalhariam menos.

“Não vamos aceitar de maneira alguma este banco de horas irresponsável que os bancos querem criar. Não adianta rede de lojas para expulsar os mais pobres, não adianta fazer hora-extra. Para acabar com as filas, a resposta é simples: contratar mais bancários”, finaliza William Mendes.