Bancos fecham 2.795 postos de trabalho no primeiro semestre de 2015

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Os bancos que operam no Brasil fecharam 2.795 postos de trabalho nos primeiros seis meses deste ano, de acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada na terça-feira (21/7), pela Contraf-CUT. O estudo é feito mensalmente, em parceria com o Dieese, e usa como base os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).


A Caixa, que vinha sustentando a geração de empregos no setor, apresentou a maior redução, com o corte de 2.058 postos de trabalho. Os bancos múltiplos, com carteira comercial, categoria que engloba grandes instituições, como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, eliminaram 729 empregos no período.


A PEB também revela que o saldo do mês de junho ficou positivo, com a criação de 130 postos de trabalho, mas não foi suficiente para reverter o resultado negativo do semestre.


“É muito preocupante a redução de postos de trabalho no sistema financeiro, seja por terceirização, novas tecnologias ou reorganização do trabalho. O Brasil tem muito potencial, precisa de crédito para o desenvolvimento e isto não combina com redução de pessoas”, avalia o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten. Só no primeiro trimestre, o lucro dos cinco maiores bancos foi de R$ 19 bilhões.


Rotatividade e salário – De acordo com o levantamento da Contraf-CUT/Dieese, além do corte de vagas, a rotatividade continuou alta. Os bancos contrataram 16.905 funcionários e desligaram 19.700 nos primeiros quatro meses. O salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.457,49, contra R$ 5.957,73 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio 58% menor que a remuneração dos dispensados.


Desigualdade – A pesquisa mostra também que as mulheres, mesmo representando metade da categoria e tendo maior escolaridade, continuam discriminadas pelos bancos na remuneração. As 8.150 mulheres admitidas nos bancos no primeiro semestre de 2015 entraram recebendo, em média, R$ 3.095,21, enquanto os homens, R$ 3.794,74. Média salarial 18,4% inferior à remuneração de contratação dos homens. A diferença de remuneração entre homens e mulheres é ainda maior no desligamento. Os homens que tiveram o vínculo de emprego rompido recebiam, em média, R$ 6.696,68. Já as mulheres, R$ 5.211,69. Resultando em um salário médio 22,2% menor do que o dos homens.


“Com o resultado que apresentam, os bancos poderiam ter um papel mais nobre no desenvolvimento econômico do nosso País, em vez disso, saem cortando empregos e usam a rotatividade para ganhar sempre mais”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará