Bancos no Ceará eliminaram 137 postos de trabalho em 12 meses

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Nos últimos 12 meses, o Sindicato dos Bancários do Ceará registrou, através de levantamento realizado pelo Dieese/CE, a perda de 137 postos de trabalho da categoria no Estado. O mês de julho de 2015 foi o de maior impacto no saldo entre trabalhadores admitidos e desligados havendo perda de 188 postos de trabalho.  Em 2016, até abril, o saldo ficou estimado negativamente em 97 vínculos trabalhistas. O total de bancários estimados no Ceará ficou em 11.889 trabalhadores.


A rotatividade continua sendo o mecanismo mais usual dos bancos para gerenciarem seus gastos com pessoal. Sistematicamente demitem salários consolidados, maiores e contratam pelo piso da categoria, que vai representar metade do valor médio dos salários dos demitidos.


A relação entre o salário médio dos trabalhadores admitidos nos últimos cinco trimestres com o dos desligados foi 47,15%. O salário médio real, no mesmo período, dos trabalhadores admitidos foi de R$ 2.958,00 e o dos trabalhadores desligados foi R$ 6.274,00. Desde 2015, a maior diferença apresentada entre os salários ocorreu no 1º trimestre de 2015, quando o trabalhador admitido recebeu 35,1% do salário do trabalhador desligado no mesmo trimestre. Nos últimos cinco trimestres, a menor diferença entre os salários ocorreu no 3º trimestre de 2015, quando os admitidos recebiam 59,5% do salário dos desligados.


Com os desligamentos registrados, o número de trabalhadores na base do Sindicato caiu 1,14% nos últimos 12 meses. O mês de maior impacto foi julho de 2015, com uma movimentação negativa de 1,56% dos vínculos em relação ao mês anterior.


“Mesmo com lucros astronômicos, o sistema financeiro continua com a onda de demissões e no Ceará não é diferente. Os bancos fogem quando o assunto é responsabilidade social. É uma falta de compromisso enorme para com a sociedade. O setor que mais lucrou na nossa economia deveria estar contribuindo mais para a retomada do crescimento e da distribuição de renda. Ao invés disso, demitem, prejudicam o atendimento e precarizam as condições de trabalho”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará