Bancos têm super lucro e trabalhadores reivindicam sua parcela

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Às vésperas da Campanha Nacional dos Bancários, cuja data base é 1º de setembro, vemos a divulgação do lucro dos bancos que cresceu quase 23% no mundo e alcançou US$ 920 bilhões em 2013, superando pela primeira vez o ápice anterior à crise financeira, de US$ 786 bilhões no ranking de 2007, de acordo com pesquisa publicada pela revista The Banker.


Os bancos no Brasil figuram na sétima posição do ranking dos maiores lucros do setor, com US$ 26,10 bilhões. “Esse perfil lucrativo dos bancos brasileiros demonstra claramente que o setor tem todas as condições de atender a pauta de reivindicações da categoria, que nada mais pede do que justiça e reconhecimento do trabalho dos bancários na composição desse lucro exorbitante, que só cresce ano a ano”, disse Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará.


Ranking mundial – Os bancos chineses foram, pelo segundo ano consecutivo, os mais lucrativos do mundo, com resultado de US$ 292 bilhões em 2013, o que equivale a um terço do total do setor no mundo. Com isso, a China ultrapassou os Estados Unidos, onde as instituições financeiras responderam por 20% do lucro global, com US$ 183,24 bilhões. Em seguida aparecem Japão (US$ 64,13 bilhões), Canadá (US$ 39,25 bilhões), França (US$ 38,63 bilhões) e Austrália (US$ 38,62 bilhões). Reino Unido, Rússia e Índia estão logo atrás do Brasil no levantamento dos mil maiores bancos do mundo.


Responsáveis pela crise – A Comissão de Inquérito da Crise Financeira – montada pelo governo dos Estados Unidos para apurar as responsabilidades pela crise iniciada em 2007 naquele país, e que posteriormente contaminou o mundo –, concluiu que o processo era “evitável”. A comissão culpa as “falhas generalizadas na regulação financeira”, à “falência dramática da gestão do risco” e ao “excessivo nível de empréstimos”. A comissão de inquérito concluiu ainda que os grandes bancos – como Citigroup e o Lehman Brothers –, bem como grandes seguradoras como a AIG e a Fannie Mae “agiram sem prudência, assumindo demasiado risco, com muito pouco capital”.


“A categoria precisa estar mobilizada para enfrentar esse poderio econômico, na nossa campanha salarial, pois nossas reivindicações de melhorias de condições de trabalho, remuneração justa, saúde, emprego decente e fim do assédio moral, das metas abusivas estão aquém do lucro excessivo dos bancos. Mobilização desde já!”
Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará