Banqueiros apoiam proposta do governo golpista e pressionam senadores

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Só não enxerga quem não quer ver. Está claro que isso interessa, e muito, aos banqueiros, rentistas e grandes empresários, financiadores do golpe do impeachment, mas não interessa aos trabalhadores.


Quando o banqueiro Roberto Setubal, dono do Itaú, o maior banco privado do país, ataca a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Justiça do Trabalho ao escrever o artigo “A importância da reforma trabalhista”, publicado no dia 2/7, na Folha de S. Paulo, fica evidente a quem interessam as mudanças propostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) e sua base aliada no Congresso Nacional.


O Santander publicou em 14 de junho um documento elaborado pelos economistas Maurício Molan e Rodolfo Margato, reclamando do custo da legislação trabalhista para o empregador no Brasil, defendendo a aprovação desse projeto em causa própria, com o objetivo de retirar direitos e aumentar os seus lucros já bilionários.


Dono do Itaú detona CLT

Não é de hoje que Setúbal detona a CLT, a Justiça do Trabalho e os direitos dos trabalhadores. O homem poderoso do Itaú vem disparando ataques contra a legislação trabalhista pelo menos desde o ano passado, apesar de ter obtido um lucro de R$ 21,6 bilhões.


Setúbal afirma que “a mudança proposta tem como principal objetivo a modernização das relações laborais. Ela está baseada na flexibilização das rígidas normas hoje estabelecidas pela CLT e pelas várias súmulas do TST que interpretam e detalham os vários artigos dessa lei, principalmente de questões relacionadas à jornada de serviço”.


Para Setúbal, “essas mudanças, somadas à terceirização, já aprovada pelo Congresso, criam espaço para aumentar a eficiência e competitividade das empresas, o que deverá levar a uma maior oferta de emprego”. O banqueiro do Itaú defende também o fim da contribuição sindical, o que levará ao enfraquecimento dos sindicatos.


Para o Santander a legislação é anacrônica

O documento do banco espanhol projeta que “a aprovação da reforma trabalhista poderia levar a uma queda do desemprego.  Para o Santander, que lucrou R$ 7,3 bilhões em 2016, “a excessiva regulamentação do mercado de trabalho brasileiro é considerada pelas empresas como o segundo fator mais problemático para fazer negócios no país. Isso sugere que bilhões de reais em investimentos deixam de ser realizados, e milhões de empregos deixam de ser gerados todos os anos, devido a uma legislação trabalhista anacrônica”.

 


Pressão pela reforma da Previdência


Os banqueiros são também interessados na reforma da Previdência do governo Temer, que na prática acaba com a aposentadoria pública no Brasil. É um mercado gigantesco que se abriria para o Itaú, o Santander e demais bancos, a fim de expandir as vendas de seus planos de previdência privada e elevar ainda mais os seus lucros.


“Não podemos esmorecer. Temos que fortalecer a resistência e a mobilização para barrar as reformas trabalhista e da Previdência, e resgatar a democracia com eleições diretas já”

Carlos Eduardo Bezerra, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará