BB lucra R$ 2,7 bi e sindicatos cobram novas contratações

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O lucro de R$ 2,648 bilhões do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2014, conforme balanço divulgado quarta-feira (7/5), comprova que o BB não contrata funcionários porque não quer. O resultado significou um crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado e uma queda de 11,5% no trimestre.


Além de não contratar, o BB prosseguiu a redução de postos de trabalho, o que é injustificável. O banco cortou 43 empregos nos primeiros três meses do ano, totalizando o fechamento de 1.492 vagas nos últimos 12 meses (queda de 7,5%). O quadro de funcionários caiu de 113.665 em março de 2013 para 112.173 em março deste ano, segundo análise da Subseção do Dieese da Contraf-CUT com base no balanço do banco.


“Essa redução de empregos não tem cabimento. Além disso, o acordo coletivo que o BB assinou com as entidades sindicais na Campanha Nacional 2013 prevê a contratação de 3 mil bancários até agosto deste ano”, afirma Eduardo Marinho, diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará. “Sem ampliar o quadro de pessoal, a direção do banco está arrebentando com a saúde dos bancários e piorando as condições de trabalho e de atendimento”, alerta o dirigente sindical.


No primeiro trimestre, o BB inaugurou 24 agências, somando 83 nos últimos 12 meses. Assim, o banco totalizou 5.474 agências em março de 2014. Todo esse resultado estrondoso corresponde a uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido anualizado (ROE) de 15,5%.


O índice de inadimplência superior a 90 dias ficou praticamente estável, com queda de 0,03 ponto percentual, ficando em 1,97% no 1º trimestre do ano em relação a março de 2013. Apesar da baixíssima inadimplência, o banco elevou suas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) em 36,7%, em 12 meses, bem acima do crescimento do volume da carteira.


As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 6,7% em 12 meses, enquanto as despesas de pessoal subiram 3,7%. Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco subiu de 120,6% para 123,9% no 1º trimestre de 2014.


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“Todos esses números do balanço atestam mais uma vez que o BB reúne plenas condições financeiras para ampliar as contratações e melhorar as condições de trabalho. Não tem sentido o tremendo sufoco que os funcionários estão passando hoje, prejudicando a saúde e comprometendo a qualidade de vida, enquanto há o compromisso de contratação assinado em acordo coletivo e milhares de concursados esperando a convocação”

Eduardo Marinho, diretor do Sindicato e funcionário do BB