BB rejeita avanços no Plano de Carreira e aposta na gestão pelo medo

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A segunda rodada de negociação entre o Comando Nacional e o Banco do Brasil foi bem diferente da primeira. Se na primeira o BB informou ser uma mesa respeitosa, nesta foi o inverso. O banco se mostrou agressivo e sem a mínima disposição em negociar e apresentar propostas. O BB iniciou o encontro criticando o movimento sindical por fazer as tradicionais mobilizações com os trabalhadores. O Comando Nacional manteve a disposição que sempre demonstra em debater as propostas e buscar alcançar uma proposta global que dialogue com os eixos debatidos na campanha.


No caso da pauta de reivindicações do BB é importante que haja avanços no plano de carreira com aumento no piso; nos interstícios; na jornada de 6 horas para as funções comissionadas, sendo os critérios de ascensão mais claros e objetivos, como concurso interno e pontuação respeitada no TAO. Também é fundamental que sejam resolvidas as questões de saúde e previdência. Queremos ainda avanços em relação ao auxílio educação e mais investimentos em formação.


O BB, além de dizer NÃO a praticamente todas as propostas, inclusive com chacotas sobre algumas reivindicações, como se os trabalhadores não fossem sérios, ainda ameaçou em mesa que vai retirar algumas conquistas do acordo em vigor, como a trava contra descomissionamento, e além de ressalvar mais cláusulas da CCT entre a Contraf-CUT e a Fenaban. O movimento e os bancários já previam isso, pois o BB quer descomissionar por qualquer motivo, como vinha fazendo, e a conquista incomodou os gestores do banco. O BB insinua não querer abrir mão da coação dos comissionados pelo medo. Os bancários não aceitarão retrocesso nos direitos.

SOLUÇÃO NA MESA DE NEGOCIAÇÃO – Os trabalhadores mantiveram a postura e disseram esperar resolver a campanha em mesa de negociação.Foi repetida em mesa, por parte do banco, as mesmas ameaças que a Fenaban procurou fazer na última segunda feira, 12/9, quando não sinalizou nenhuma proposta e ainda fez ameaças contra uma provável greve, como se eles banqueiros estivessem apostando na greve e na falta de solução negociada da campanha, desejo não partilhado por parte dos bancários, que já vêm dialogando com a sociedade da importância dos banqueiros atenderem as reivindicações que, inclusive, melhoram o atendimento aos clientes e usuários.


Para Carlos Eduardo Bezerra Marques, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará e representante da FETRAFI-NE na Comissão de Empresa, o Banco do Brasil novamente pouco apresentou na mesa de negociação. “Ao contrário de apresentar propostas quanto às nossas reivindicações, o Banco retrocedeu no diálogo ao dizer que não vai renovar a cláusula sobre descomissionamento”, ressaltou. “Essa rasteira numa das maiores conquistas da campanha passada só remete às intenções de alguns setores do banco em fazer descomissionamento sem nenhum critério”, completa.


Carlos Eduardo reforça ainda que os comissionados devem ficar atentos e mobilizados, pois o que está em questão é a comissão de todos, de caixas e assistentes a gerentes.