Bolsonaro ameaça bancos e quer acabar com programas sociais

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JUVANDIA MOREIRA, presidenta da Contraf/CUT, é funcionária do Bradesco e já presidiu o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Nesta entrevista ao portal da Fenae, realizada por canais digitais, ela falou da importância de se defender os bancos públicos e da forma omissa e irresponsável que o governo Bolsonaro vem lidando com a pandemia. Confira aqui um resumo da entrevista:


Que avaliação pode ser feita sobre a atual crise e os impactos na economia do país?
Juvandia – O grande problema do Brasil é o Presidente da República. Ao invés de coordenar a crise, para ajudar o país a sair mais rapidamente da pandemia e a recuperar a economia, ele joga contra a política de isolamento social que no mundo inteiro foi adotada. Os países que não a adotaram tiveram um maior número de mortes do que os demais, assim como registraram uma queda acentuada da atividade econômica. Então a solução, não essa que o Bolsonaro está dando, é ter uma coordenação articulada com os estados e municípios, trabalhando para sair dessa pandemia o mais rapidamente possível. Infelizmente, o contrário disso é o que vem acontecendo no Brasil. Defendemos uma agenda de desenvolvimento para o país, com mais investimento público e retorno do crescimento com distribuição de renda e justiça social.


Que papel a Caixa joga nesse cenário contaminado por crises política e econômica?
Juvandia – A Caixa tem um papel muito importante nesse cenário de crise econômica. E, obviamente, está sofrendo as consequências da crise política e da falta de coordenação, como resultado de um governo inconsequente e irresponsável. A concentração na Caixa do pagamento do auxílio básico emergencial, que vínhamos dizendo não ser possível, porque é jogar praticamente metade da população brasileira nas costas de um único banco, é de uma irresponsabilidade muito grande. Essa política, inclusive, provoca as enormes filas e aglomerações registradas nas agências de todo o país. Uma coisa fica evidente nesse cenário de pandemia: a Caixa é importante para o país. Os bancos públicos são instrumentos fundamentais para o desenvolvimento social e econômico.


Como analisa os ataques perpetrados pelo governo contra os bancos públicos?
Juvandia – Esse governo tem um único objetivo: entregar o país para os interesses das multinacionais e do mercado financeiro, o que prova que essa turma não trabalha para a maioria da população. Isso fica claro em relação aos bancos públicos. Temos que nos organizar e lutar para que esse retrocesso não aconteça. Os bancos públicos são importantes para o desenvolvimento regional. São essas instituições que garantem crédito para os munícipios e regiões mais pobres. O movimento tem que ser no sentido de buscar o diálogo com a sociedade. É preciso combater essa política econômica de Bolsonaro.


Qual é a importância das entidades sindicais no enfrentamento da pandemia do coronavírus?
Juvandia – A importância de entidades organizativas, como a Fenae, a Contraf/CUT, as associações e os sindicatos, é enorme. A pandemia é uma prova disso. Conseguimos colocar quase 300 mil trabalhadores em home office logo na primeira semana, assim que a OMS divulgou orientações a respeito. Começamos um processo de negociação no âmbito do sistema financeiro nacional e, em virtude disso, os bancários que não estão em casa contam com máscara, álcool gel e barreira de acrílico, medidas adotadas por cobrança do movimento sindical. Então, nesse momento e sempre, a proteção à vida, à saúde, aos empregos e aos direitos de toda a categoria bancária é a grande tarefa exercida pelos movimentos sindical e social Brasil afora.


Como as entidades representativas devem agir para apresentar alternativas estruturais à atual conjuntura do país?
Juvandia – Uma das primeiras coisas a fazer é unir-se. É a unidade que nos torna mais fortes na defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores, tendo em vista a existência de um monte de medidas provisórias atacando os direitos dos bancários e de outras categorias profissionais, com prejuízo também para diversos segmentos da sociedade civil brasileira.


Em relação ao futuro, quais são as perspectivas para o setor público no Brasil?
Juvandia – São as piores possíveis por causa, principalmente, do atual governo e das ações de redução do Estado, entrega do patrimônio público, salários rebaixados e demissões de servidores. Em contraposição a esse modelo nefasto, porém, a sociedade, as entidades representativas e os trabalhadores têm o desafio de articular uma reação coordenada, com apresentação de uma proposta de retomada do crescimento econômico com distribuição de renda e geração de emprego. Na luta contra o neoliberalismo e o autoritarismo, os trabalhadores e o conjunto da população devem unir-se em torno de uma plataforma de resistência contra o retrocesso, para que o Brasil mude de rumo.


Para ler a entrevista na íntegra, acesse: https://bit.ly/3cu35BG